- Brasil corre para atender a rastreabilidade exigida pela União Europeia, abrindo caminho para acordo provisório Mercosul-UE a partir de 1º de maio.
- A UE exige desmatamento zero e, a partir de 30 de dezembro de 2026, a comprovação de origem de todos os produtos exportados.
- A rastreabilidade hoje chega aos fornecedores diretos; o gargalo fica nas fazendas de criação de bezerros, principalmente as menores.
- A Fundação IDH atua para inserir pequenos produtores no monitoramento, com o Programa de Produção Sustentável de Bezerros já apoiando mais de seiscentos produtores, outros seiscentos em regularização.
- O programa avança em etapas: assistência técnica, jurídica e ambiental, além de orientar para a rastreabilidade, com cerca de quarenta técnicos em cada fase.
O Brasil corre contra o tempo para atender às exigências de rastreabilidade impostas pela União Europeia, com foco no desmatamento zero. O alvo é toda a cadeia de produção de carne, incluindo as fazendas que criam bezerros. A meta ambiental europeia entra em vigor em 2026, elevando a pressão sobre o setor.
A aprovação provisória do acordo entre Mercosul e UE, prevista para entrar em vigor neste ano, depende de rastreabilidade rigorosa. A desvantagem competitiva pode aumentar se o Brasil não cumprir as regras, que vetam produtos de áreas desmatadas após 2020. O desafio é alcançar todos os elos da cadeia.
O gargalo se concentra nas fazendas de recria e engorda que vendem para frigoríficos exportadores. A cria, fase inicial da vida do animal, ocorre em propriedades menores, com menor capacidade de monitoramento. Esta lacuna compõe o principal obstáculo à rastreabilidade completa.
Rumo à rastreabilidade completa
A Fundação IDH atua conectando campo e mercado, sobretudo nos pequenos produtores de bezerros. O programa de Produção Sustentável de Bezerros tem atuação em Mato Grosso desde 2019 e chegou ao Pará em 2023, abrangendo grande parte do rebanho do país.
O programa já apoiou mais de 600 produtores e trabalha com regularização de atividade para outros 600. A estrutura soma assistência técnica, jurídica e ambiental, além de orientação para rastreabilidade, com cerca de 40 técnicos em cada etapa.
O papel da Fundação IDH
Para Manuela Santos, diretora da IDH no Brasil, o tema não é apenas o brinco de identificação. A executiva aponta gargalos de infraestrutura, regularização e acesso que precisam ser enfrentados para uma cadeia íntegra e economicamente viável.
A entidade também busca tornar a rastreabilidade economicamente atrativa para produtores de todos os portes. Frigoríficos e varejo costumam remunerar qualidade, mas não costumam pagar pela origem verificada do animal. A IDH trabalha para alinhar campo e mercado, reduzindo riscos para investidores e compradores internacionais.
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