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CACR11 cai quase 60% na semana após suspensão de dividendos

CACR11 recua quase sessenta por cento em uma semana após suspensão de dividendos de abril pela gestora, citando preservação de caixa diante de atrasos em projetos

— Foto: Getty Images
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  • CACR11 caiu quase sessenta por cento na semana, no mês e em doze meses, após a gestora suspender a distribuição de dividendos referentes a abril.
  • Em maio, as cotas passaram de R$ 81,33 para R$ 32,70.
  • A Cartesia justificou a suspensão dos dividendos como medida para preservar caixa diante do cenário macroeconômico e de crédito, buscando manter as obras financiadas e o valor das garantias.
  • A gestora citou aumento de custos de materiais e mão de obra, juros elevados, redução de vendas e atrasos em repasses, além de atrasos regulatórios em projetos na Bahia e em São Paulo.
  • O fundo já era questionado anteriormente por concentração de ativos em CRIs de empreendimentos ainda não lançados, com risco apontado por auditoria e transferência de administração entre instituições.

O Cartesia Recebíveis Imobiliários CACR11 registrou uma queda expressiva de quase 60% na semana, mês e 12 meses, após a gestora Cartesia anunciar a suspensão da distribuição de dividendos referentes a abril. A carteira passou por ajuste em meio ao cenário macroeconômico adverso.

Segundo a gestora, a decisão visa preservar o caixa diante de custos de crédito elevados e de uma tendência de aperto no mercado imobiliário, buscando manter a continuidade das obras financiadas e o valor das garantias das operações.

A Cartesia afirmou que a suspensão, ainda que o resultado apurado pelo regime caixa tenha sido de 1,24 por cota, prioriza recursos para os projetos em andamento e para a proteção de garantias.

Além disso, o ambiente de juros altos e o aumento de custos pressiona necessidade de recursos adicionais para os empreendimentos.

A gestão apontou atrasos regulatórios e operacionais em projetos na Bahia e em São Paulo, como demoras na aprovação de modificações e na emissão de habite-se, impactando o planejamento de caixa e as entradas de recursos de vendas.

Questionamentos sobre a carteira já vinham sendo acompanhados, após reportagem do Valor Investe apontar concentração de ativos em CRIs ligados a empreendimentos ainda não lançados, com baixo volume de vendas e atrasos no cronograma.

Na apuração, ativos relevantes representavam mais de 80% do patrimônio líquido do fundo, com alguns projetos ainda sem fluxo de caixa operacional, embora continuassem pagando rendimentos.

Relatos indicaram aumento da exposição a determinados projetos nos últimos dois anos, frente a atrasos e revisões de cronograma, gerando dúvidas sobre a validade das garantias vinculadas.

Também houve menção a movimentações de CRIs entre fundos da mesma gestora e questionamentos sobre o desempenho desses ativos em diferentes veículos de investimento.

Em dezembro de 2025, relatório de auditores independentes absteve-se de opinião, citando ausência de evidências suficientes para validar saldos após a troca de administração do fundo, de Banco Daycoval para BRL Trust.

A administradora nova não teria recebido, a tempo, as demonstrações financeiras auditadas do período anterior, impossibilitando o início completo da auditoria.

Posteriormente, as demonstrações de transferência com parecer sem ressalvas mostraram saldo de operações compromissadas de 20,6 milhões de reais.

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