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Cooperativa em SP testa modelo em que clientes também trabalham

Mercado de São Paulo opera sem patrão, com clientes trabalhando como cooperantes; após três meses busca 200 novos cooperantes para ampliar horário

Na Gomo Coop, o cliente também cumpre expediente de trabalho mensal
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  • Gomo Coop é um mercado em São Paulo onde clientes também trabalham como cooperantes; o horário atual é das 8h às 16h.
  • São mais de 500 cooperantes que cumprem três horas de trabalho a cada 28 dias, em troca de descontos e direito a voto.
  • Para participar, basta pagar uma cota de R$ 100; não sócios pagam mais caro pelos produtos, como um café pode custar até R$ 3 a mais.
  • O modelo é inspirado no Park Slope Food Coop, de Nova York, e a meta é alcançar 200 novos cooperantes para ampliar o horário de funcionamento.
  • O investimento inicial foi de R$ 550 mil via financiamento coletivo, mais R$ 100 mil arrecadados e empréstimos com prazo de até cinco anos; após três meses, o caixa não estava no azul e o principal desafio é recrutar cooperantes.

A Gomo Coop, mercado sem patrão em São Paulo, completa três meses de operação e busca ampliar sua atuação com 200 novos cooperantes. Localizado na rua Santa Isabel, no centro, o espaço funciona hoje com jornada reduzida das 8h às 16h e depende do aumento da base de sócios para ampliar o atendimento. Os cooperantes realizam funções usuais de mercado, como limpeza, organização de estoque, etiquetagem e operação do caixa.

Para se tornar sócio, é necessária uma cota de 100 reais e a atuação de três horas a cada 28 dias. Em troca, há acesso a descontos e direito ao voto nas decisões da cooperativa. O modelo se inspira no Park Slope Food Coop, de Nova York, que funciona com base de sócios; na Gomo, porém, o público geral pode aproveitar as lojas enquanto não atingem o número desejado de cooperantes, com preços diferenciados para não-sócios.

Estrutura financeira e objetivo

O investimento inicial somou 550 mil reais, financiados por meio de crowdfunding e empréstimos solidários com prazo de até cinco anos, ajustados pelo IPCA. A ideia nasceu em 2021, evoluiu de um grupo small para 34 sócios e hoje revela planos de expansão com 500+ cooperantes.

Diferenciais do varejo tradicional

Segundo Karina Nishioka, coordenadora de Relações, a cooperativa não pretende competir com grandes redes, mas oferecer preços nivelados e produtos com foco em origem local e sem agrotóxicos. O objetivo é criar um espaço com preço competitivo e participação coletiva na gestão do bem comum, com foco em abastecimento consciente.

Estrutura de funcionamento

Além dos cooperantes, a Gomo contratou cinco profissionais no formato PJ para jornadas de seis horas diárias em regime 5×2. Não há divisão rígida de áreas: há quem coordene turnos, enquanto outros cuidam de back office, como cadastro de produtos e relacionamento com fornecedores. Um ex-cooperante, agora diretor de operações, coordena as equipes.

Perspectivas e desafios

Após três meses, o caixa da cooperativa ainda não está no azul, com previsão de melhoria apenas a partir do segundo semestre, devido a investimentos iniciais em infraestrutura. O principal desafio é ampliar o número de cooperantes, inclusive oferecendo opções para quem tem rotinas mais instáveis, sem perder o foco da gestão compartilhada.

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