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Crescimento da mineração avança, porém impactos locais persistem

Apesar do crescimento bilionário do setor, municípios mineradores sofrem com custo de vida maior, serviços pressionados e distribuição desigual da riqueza

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  • AMIG Brasil alerta que, apesar do crescimento bilionário da mineração, municípios mineradores enfrentam aumento do custo de vida e pressão sobre serviços públicos.
  • Faturamento da mineração no primeiro trimestre de 2026 ficou em R$ 77,9 bilhões, 6% acima do mesmo período de 2025; a CFEM chegou a R$ 7,91 bilhões em 2025.
  • Estudos encomendados pela entidade mostram que o custo de vida nesses municípios supera o das capitais regionais (exemplos: Parauapebas, 10,2% mais caro; Mariana, 9,4%; Conceição do Mato Dentro, 6,3%).
  • Impacto para famílias de baixa renda: quem ganha um salário mínimo tem perda de poder de compra entre 1,1 mil e 1,8 mil reais por ano; cesta básica também é mais cara.
  • Autoridades defendem modernização do marco legal, fortalecimento da fiscalização e compensações mais justas, com visão de desenvolvimento regional sustentável.

No Dia Mundial da Mineração, o setor cresce, mas municípios mineradores enfrentam custo de vida maior e pressão sobre serviços públicos, mesmo com o destaque do Brasil em minerais críticos. A AMIG Brasil aponta que a valorização não tem se traduzido em benefícios locais.

Dados do Ibram indicam faturamento de R$ 77,9 bilhões no 1º trimestre de 2026, alta de 6% frente a 2025. A CFEM, em 2025, somou R$ 7,91 bilhões, a segunda maior marca histórica, segundo a entidade. Os números destacam o peso do setor na economia.

Em 7 de maio, Dia Mundial da Mineração, a AMIG Brasil ressaltou que o avanço econômico não acompanha melhorias nas condições de vida das comunidades. A organização aponta falhas de planejamento e regulação como entraves à distribuição de riqueza.

Panorama da mineração no Brasil

O país tem reservas consideráveis de terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos para transições energéticas e indústria de tecnologia. O presidente da AMIG Brasil, Marco Antônio Lage, defende planejamento público para evitar exploração predatória e ampliar retorno aos municípios.

Lage lembra que o Congresso tem avançado em propostas para ampliar investimentos, mas cobra enfrentamento de problemas estruturais da mineração tradicional antes de novas leis. Há esforço para destravar projetos, com atenção a entraves regulatórios.

Estudos encomendados pela AMIG Brasil, com apoio do IPEAD/UFMG, mostram que o custo de vida é maior em municípios mineradores do que em capitais regionais. Parauapebas registra inflação de 10,2% em relação a Belém; Mariana, 9,4% frente a João Monlevade; Conceição do Mato Dentro, 6,3% acima de Extrema.

O impacto afeta especialmente famílias de baixa renda. Quem recebe salário mínimo tem redução de poder de compra entre 1,1 mil e 1,8 mil por ano nas cidades mineradoras. A cesta básica também está mais cara em várias localidades.

Desafios públicos e caminhos

Relatórios indicam que aluguéis e despesas locais variam bastante. Em Mariana, aluguel é 27,5% mais caro que em João Monlevade; em Conceição do Mato Dentro, despesas pessoais são 25% superiores a Extrema; Parauapebas tem roupas 30% mais caras que Belém.

Waldir Salvador, consultor da AMIG Brasil, destaca pressão sobre serviços públicos e distorções econômicas que beneficiam poucos setores, além de apontar a perda de arrecadação com a isenção de impostos sobre exportações minerais prevista pela Lei Kandir. A fiscalização e a regulação são apontadas como áreas com fragilidades.

Segundo Salvador, a legislação mineral brasileira está desatualizada frente à importância estratégica dos minerais críticos. O debate sobre terras raras não deve buscar rapidez, para evitar exportação de matéria-prima sem tecnologia ou valor agregado no país.

Para promover mudanças, o consultor recomenda modernizar o marco legal, fortalecer órgãos reguladores, ampliar a fiscalização e assegurar compensações mais justas aos municípios impactados. A alternativa é avançar rumo à soberania econômica sobre as riquezas minerais.

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