- Francesco La Camera, diretor-geral da Agência Internacional de Energias Renováveis, afirma que a crise energética atual acelera a transição para energia limpa e não é a mais grave, será a última, pois impulsiona mudanças estruturais.
- Em dois mil e vinte e cinco, o mundo instalou quase setecentos gigawatts de capacidade renovável, quase o dobro da soma histórica de energia nuclear, mostrando que é mais barato e conveniente investir em renováveis.
- O relatório da Irena aponta que solares e eólicas com armazenamento em bateria podem fornecer energia 24 horas por dia a custos competitivos com fósseis em regiões com muito sol e vento.
- As redes elétricas precisam de investimentos para interconexão, flexibilidade e distribuição inteligente da demanda, para ampliar a confiabilidade das renováveis.
- A China continua liderando a expansão global, respondendo por boa parte da capacidade instalada em mil e vinte e cinco, enquanto países como Espanha, Noruega e Brasil avançam em seus modelos de energia renovável.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena), Francesco La Camera, afirma que a crise energética provocada por conflitos recentes acelerou a transição para fontes renováveis. Ele sustenta que o processo não tem volta e que quem ficar preso ao passado perderá competitividade.
La Camera participou de um evento internacional de transição energética e concedeu entrevista ao Valor. O comentário acompanha um relatório da Irena que analisa a viabilidade de renováveis com armazenamento para fornecer energia 24 horas por dia, com custos competitivos frente aos combustíveis fósseis.
Segundo o dirigente, em 2025 o mundo instalou quase 700 GW de capacidade renovável, aproximadamente o dobro da instalada de energia nuclear ao longo de 70 anos. Ele destaca que a transição já é uma realidade, não apenas uma promessa, e que a economia está se adaptando rapidamente.
Renováveis 24 horas por dia
A Irena aponta que a combinação de energia solar, eólica e armazenamento em baterias pode sustentar a eletricidade contínua em regiões com alto potencial solar e eólico. O relatório cita custos fixos de 54 a 82 dólares por MWh para solar com armazenamento em áreas muito ensolaradas, ante 70 a 85 dólares por MWh de carvão novo na China.
La Camera afirma que renováveis confiáveis já substituem a narrativa de insegurança energética associada a falhas em fontes intermitentes. Ele ressalta que mercados fósseis seguem sujeitos a choques geopolíticos, o que reforça a necessidade de sistemas renováveis resilientes.
Desafios de infraestrutura e liderança regional
O executivo destaca que o principal obstáculo à expansão é a infraestrutura de redes elétricas, que precisa de interconexão, flexibilidade e inteligência para distribuir energia conforme a demanda. Ele cita a importância de redes elétricas mais modernas para viabilizar o armazenamento distribuído.
Em relação a países específicos, La Camera aponta que a China respondeu por grande parte da expansão global em 2025, com mais de 40% da capacidade renovável mundial instalada no ano. Ele destaca que a Europa tem exemplos de liderança em renováveis, citando Espanha, Noruega e Portugal como casos relevantes.
Perspectivas para Estados Unidos e Brasil
O dirigente comenta que os EUA registraram récords de capacity instalada e que incentivos governamentais contribuíram para a competitividade das renováveis. Ele ressalta ainda que a gestão estadual da geração elétrica tem papel central no país.
Sobre o Brasil, La Camera lembra a imensidão do território e o potencial hidrelétrico, mas indica que o país tende a migrar gradualmente para fontes renováveis, mantendo um mix de fontes para garantir segurança energética.
Hidrogênio, biomassa e futuro
O relatório também aborda o papel do hidrogênio verde, que pode representar cerca de 14% do consumo total de energia até 2050. Em relação à biomassa, o diretor afirma que seu uso pode ser sustentável sem comprometer o abastecimento alimentar.
La Camera encerra destacando a importância de cooperação internacional para a COP31 e o roadmap rumo à redução da dependência de combustíveis fósseis, com apoio estratégico a redes elétricas e à transição energética global.
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