- Em abril de 2026, 80,9% das famílias estavam endividadas, recorde, alta de 0,5 ponto percentual em relação a março.
- O cartão de crédito segue como principal modalidade de endividamento, com os carnês de loja e o crédito pessoal em seguida.
- Contas em atraso somaram 29,7% das famílias; 12,3% estavam sem condições de quitar dívidas; o tempo médio de atraso foi de 65,1 dias.
- Entre os endividados com pagamentos atrasados, 49,5% acumularam débitos com mais de ninety dias.
- O endividamento cresceu em todas as faixas de renda; a CNC projeta continuidade no aumento em maio, influenciado pela renda, inflação de itens essenciais e pela taxa Selic em 14,50% ao ano.
A proporção de famílias brasileiras com dívidas atingiu 80,9% em abril de 2026, segundo a CNC. O indicador bateu recorde pela quarta vez consecutiva, com alta de 0,5 ponto percentu al respecto de março (80,4%). O dado vem da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), publicada em 7 de maio de 2026.
O cartão de crédito permanece como a principal fonte de endividamento, concentrando também os juros mais elevados da economia. Em seguida aparecem os carnês de loja e o crédito pessoal como outras origens relevantes das dívidas.
Contexto e impactos
O recorde ocorre no mês anterior à renegociação de dívidas Desenrola 2.0, lançado pelo governo. Na edição anterior, em 2024, cerca de 15 milhões de brasileiros participaram da iniciativa. O governo tem feito críticas públicas para estimular a quitação de débitos.
Dados de atraso e perfil das famílias
Em abril, 29,7% das famílias tinham contas em atraso, frente a 29,1% em abril de 2025. O percentual de famílias sem condições de quitar dívidas atrasadas permaneceu em 12,3% pelo segundo mês seguido. Entre os endividados com atraso, 49,5% acumulam débitos com mais de 90 dias.
Desempenho por faixa de renda
O endividamento atingiu todas as faixas de renda igualmente. Até 3 salários mínimos apresentaram 83,6% de endividados, com 38,2% em atraso. Entre 3 a 5 salários mínimos, 82,8% estão endividados, com 28,0% inadimplentes. Entre 5 a 10 salários, 80,1% endividados, 22,7% atrasados. Acima de 10 salários, 70,8% endividados, 15,0% com inadimplência.
Projeções e fatores
A CNC aponta que a Peic indica continuidade do aumento do endividamento em maio. O comportamento da renda e a inflação de itens essenciais, como energia e combustíveis, influenciam o movimento. O economista-chefe Fabio Bentes ressalta que a taxa Selic elevada, hoje em 14,50% ao ano, é fator central para o cenário. Ele aponta que, diante de incertezas globais, a flexibilização da política monetária deve ocorrer mais lentamente, mantendo dívidas em patamares altos por mais tempo.
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