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Guerra deixa hemisfério Sul sem fertilizantes na semeadura

Fechamento de Ormuz eleva preços e interrompe abastecimento de fertilizantes, ampliando o risco de crise alimentar global se não houver normalização rápida

Imagen cedida por Fertiglobe, productor de fertilizantes de Emiratos Árabes.
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  • O fechamento do estreito de Ormuz, há mais de dois meses, bloqueia 30% da ureia produzida no mundo, 21% do amônio utilizado na fabricação de fertilizantes e 20% do gás natural liquefeito para a produção agrícola.
  • O CEO da Fertiglobe, Ahmed El-Hoshy, afirma que o impacto na alimentação pode superar o da crise petrolífera, com alta de preços e menor oferta de fertilizantes.
  • A Fertiglobe tem conseguido contornar o fechamento com transporte de carga por estrada e armazenagem, mas não cruza o estreito; cerca de dois terços da produção ficam fora da região do Golfo, em Egito e Argélia, e a empresa é responsável por parte importante das importações estrangeiras de amônio e ureia para a Espanha.
  • O aumento de preço dos fertilizantes ocorre durante a semeadura no hemisfério sul e pode levar agricultores a adiar o uso de fertilizante, agravando riscos de produção, especialmente na América Latina, Índia, Austrália e em países que dependem de importações para suprir a demanda.
  • Países como Espanha, Estados Unidos, Índia e Austrália criaram programas de apoio aos agricultores; a normalização não deve ocorrer de imediato, com danos e custos elevados de transporte e seguros impactando a retomada da produção.

O estreito de Ormuz permanece bloqueado há mais de dois meses, impactando a logística global de fertilizantes. O fechamento não só afeta o petróleo, como também interrompe a circulação de insumos cruciais para a alimentação mundial. A urea, o amoníaco e o gás natural líquidos estão entre os itens mais sensíveis à operação no corredor estratégico.

A Fertiglobe, líder em fertilizantes sediada nos Emirados Árabes, alerta para consequências mais amplas que os efeitos sobre o petróleo. O CEO Ahmed El-Hoshy afirma que o custo mais alto e o menor fornecimento de fertilizantes podem ser mais relevantes para a segurança alimentar do que o preço do petróleo, especialmente nos próximos meses.

O problema acontece em meio à fase de plantio no hemisfério sul e ao acúmulo de custos para agricultores de diversas regiões. A empresa admite que tem encontrado caminhos alternativos, transportando mercadorias por via rodoviária para exportação por outros portos, mas isso aumenta o custo logístico.

Impacto global na cadeia de suprimentos

El-Hoshy, que também atua como vice-presidente da Associação Internacional de Fertilizantes, disse que o setor precisa de importações nos próximos dois meses para manter safras estáveis. O preço da urea subiu cerca de 80% desde o início do conflito, com encarecimento adicional de cerca de 400 dólares por tonelada, elevando o custo para produtores.

Segundo o executivo, o aumento de preços pode levar agricultores a reduzir ou suspender o uso de adubos nitrogenados, prejudicando rendimentos e produção. O fertilizante é decisivo para manter colheitas de culturas como milho, trigo e arroz. Ele destaca que metade da população mundial depende desse tipo de insumo.

Papel da Fertiglobe no comércio e produção

A Fertiglobe opera com produção diversificada fora da região, em países como Egito e Argélia, o que ajuda a mitigar o gargalo. Cerca de metade das importações espanholas de amônio e 30% da urea vêm da empresa. No primeiro trimestre, a empresa registrou aumento de 32% na receita anual, atingindo 915 milhões de dólares.

O CEO afirma que o encarecimento não se resolve rapidamente, mesmo com retorno de Ormuz. Danos a equipamentos e necessidades de reparos têm mantido parte da produção indisponível por meses. Além disso, os fretes marítimos caros e seguros elevados elevam ainda mais os custos.

Reações internacionais e perspectivas

Países como Espanha, EUA, Índia e Austrália adotaram programas de apoio aos agricultores para custear fertilizantes. Em EUA e Europa houve compras antecipadas, mitigando parte do impacto. No hemisfério sul, a pressão de preços continua, dificultando a reposição de estoques.

El-Hoshy ressalta que grandes exportadores de grãos, como Argentina e Brasil, enfrentam o desafio de adquirir fertilizantes a preços altos, impactando as previsões de safra. A situação reflete a interdependência entre energia, fertilizantes e produção de alimentos em escala global.

Considerações finais

A situação no Golfo Pérsico evidencia a estreita relação entre geopolítica, logística e alimentação mundial. Mesmo com fontes diversificadas, a interrupção de Ormuz pode manter pressões sobre preços e disponibilidade de insumos essenciais nos próximos meses.

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