- Grandes e médias varejistas testam a escala 5×2 (cinco dias de trabalho, dois de descanso) e veem vantagens como maior atratividade de candidatos e redução da rotatividade.
- Empresas citadas no piloto, como Supermercados Pague Menos, RD Saúde e Savegnago, relatam menor gasto com vale-transporte e alimentação, além de menos faltas e acidentes de trajeto.
- Entre os desafios estão a gestão de folgas, possível aumento de custos e, em alguns casos, redução de gorjetas devido ao aumento da equipe.
- A experiência do setor ocorre em meio ao debate no Congresso sobre o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de descanso) e à discussão de reduzir a jornada para 40 horas semanais.
- A proposta em tramitação propõe mudanças na jornada, com variações entre PECs apresentadas por deputados, enquanto o governo defende limite de 40 horas sem regime de escala fixo.
Grandes e médias varejistas do Brasil estão testando a escala 5×2 — cinco dias de trabalho e dois de descanso — para avaliar impactos na atração de candidatos, na redução de rotatividade e nos custos com benefícios como vale-transporte e alimentação. As experiências ocorrem em redes como Pague Menos, RD Saúde (Drogasil e Droga Raia) e Savegnago, com resultados mistos até o momento.
Executivos ouvidos pela Folha apontam ganhos operacionais, como menor absenteísmo e menos faltas, além de maior flexibilidade na agenda. Por outro lado, destacam desafios na gestão de folgas, o risco de aumento de custos e, em alguns casos, queda de gorjetas devido à ampliação das equipes.
As avaliações aparecem em meio a debates no Congresso sobre a extinção da escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de descanso) e a redução da jornada. Estudos indicam impactos financeiros significativos para o comércio e serviços caso a jornada seja reduzida para 40 horas semanais.
Contexto do debate
Maurício Bendixen, da Apras, afirma que déficit de mão de obra no varejo impulsiona interesse em jornadas mais flexíveis. Ele diz que, com folgas, trabalhadores buscam oportunidades como horas extras, lazer, estudo ou descanso. A mudança é vista como valorização do tempo livre pós-pandemia.
Um estudo da CNC aponta que reduzir a jornada para 40 horas exigiria abertura de cerca de 980 mil vagas e afetaria mais de 90% da força de trabalho do setor de comércio e serviços. Estima-se impacto financeiro de até R$ 357,5 bilhões no total.
A jornada 5×2 pode exigir adaptações na folha de pagamento, especialmente em negócios menores que dependem de horistas para escalonamento. Algumas redes têm investido na contratação desse tipo de mão de obra para manter a operação estável.
Panorama regulatório e perspectivas
No Legislativo, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou relatório favorável à tramitação da PEC que muda a jornada 6×1. O texto segue para discussão de mérito em comissão específica. Paralelamente, há propostas para reduzir a jornada semanal para 36 horas.
O governo tem defendido, em linhas gerais, a fixação de um teto de 40 horas semanais sem adotar uma escala rígida. A temática permanece em aberto, com negociações entre trabalhadores, empresas e Legislativo como caminho provável.
A adoção da escala 5×2 é tema de discussão contínua no varejo, com empresas avaliando impactos na folha de pagamento e na organização de equipes. A expectativa é de que novos capítulos da série de reportagens traga outros dados e relatos de campo.
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