- Autoridades do Federal Reserve ficaram mais preocupadas com impactos da guerra entre EUA e Irã sobre a inflação e as cadeias de suprimentos, especialmente após a décima semana de conflito.
- Na reunião de abril, três dirigentes discordaram da interpretação de que a política monetária poderia se manter frouxa, sugerindo possibilidade de alta de juros.
- As dissidências vieram de Beth Hammack (Fed de Cleveland), Lorie Logan (Dallas) e Neel Kashkari (Minneapolis), que questionaram a transparência sobre maiores chances de aumento nas taxas.
- A guerra tem afetado também o fornecimento de fertilizantes, hélio e alumínio, elevando preços e levando empresas a buscar reconfigurar cadeias de suprimento.
- As expectativas de inflação surgem como ponto crítico: medidas de inflação de longo prazo no mercado sinalizam preocupação com rigidez de preços, mesmo com fortes choques.
A tensão entre autoridades monetárias e a guerra no Oriente Médio segue influenciando a percepção de inflação e as ações do Federal Reserve. Os impactos econômicos da escalada entre EUA e Israel contra o Irã ampliam incertezas sobre futuros movimentos de juros. Ao longo de março, Powell afirmou que efeitos sobre a inflação seriam temporários e possivelmente contidos no setor energético, abrindo a possibilidade de cortes neste ano.
A guerra já está em sua décima semana e reacende dúvidas entre dirigentes do Fed. Na última reunião, em abril, três membros divergiram da linha de flexibilização anterior, sinalizando desconforto com a ideia de quedas contínuas das taxas. A discordância envolve decisões que afetam o viés de política monetária do comitê de 19 membros, alguns com direito a voto este ano.
Guerra e inflação
A resistência à flexibilização não está restrita a esses três dirigentes. Economistas apontam que o ceticismo é mais amplo, pois as expectativas de inflação já operam acima da meta de 2% em parte do período recente. Análises destacam que a economia enfrenta pressões de custos que vão além do petróleo, atingindo fertilizantes, hélio e alumínio.
As preocupações surgem em um momento em que dados de confiança indicam que as cadeias de suprimentos sofrem com interrupções. Empresas adotam compras antecipadas e diversificação de fornecedores para mitigar riscos, segundo pesquisas do ISM. O índice de pressão da cadeia de suprimentos do Fed de Nova York atingiu 1,82 em abril, o maior desde 2022.
Cadeias de suprimentos
Especialistas destacam que o aumento dos custos de insumos reduz a previsibilidade dos preços para empresas de diversos setores. O chefe do Fed de Nova York ressaltou que as interrupções lembram problemas observados em 2021, quando o mundo saiu da pandemia. Em Dallas, a presidente do Fed detalhou sua discordância, citando riscos de inflações decorrentes de rupturas prolongadas no abastecimento.
A partir de dados de mercado, analistas observam que a taxa de equilíbrio de inflação de longo prazo (10 anos) subiu para 2,5%, o maior nível desde o início de 2023. Tal movimento aponta para a percepção de que as pressões inflacionárias podem permanecer elevadas por mais tempo.
Expectativas de inflação
Powell destacou, em março, que as expectativas de preços dos consumidores moldam a resposta do Fed. A ancoragem das expectativas é vista como crucial para evitar que choques temporários se tornem padrões duradouros. Pesquisas de universidades e do próprio Fed indicam que as expectativas de inflação de longo prazo continuam bem ancoradas, conforme dados recentes.
O debate entre dirigentes ressalta que o Fed monitora de perto sinais de que o rompimento dessas expectativas possa ocorrer. O risco é de que a inflação permaneça acima da meta por mais tempo, o que exigiria ajustes adicionais de política monetária para retornar à meta.
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