- O JPMorgan vê a rede elétrica dos EUA como envelhecida e que os atrasos na conexão de novas geradoras e linhas de transmissão afetam principalmente famílias de baixa renda.
- Executivos do banco dizem que esses atrasos criam pressão adicional em um sistema já sob estresse e elevam custos para quem tem menor capacidade de absorvê-los.
- O banco ressalta a necessidade de um ambiente regulatório mais previsível nos EUA para que haja mais fluxo de capital para infraestrutura de rede elétrica.
- Como referência, aponta o Pacote de Redes da União Europeia, que mostrou processos digitalizados e prazos definidos para tornar cronogramas mais confiáveis e atrair investimentos.
- A reportagem também destaca aumento de ameaças cibernéticas a redes elétricas, com a expansão de energia distribuída ampliando a superfície de ataque; cerca de 21 milhões de famílias americanas estão atrasadas em contas de energia.
A dupla de executivos do JPMorgan Chase afirmou que a infraestrutura envelhecida da rede elétrica dos Estados Unidos prejudica desproporcionalmente famílias de baixa renda. O alerta foi apresentado em um relatório para clientes, visto pela Bloomberg News, que aponta atrasos na conexão de novas geradoras e linhas de transmissão como fator-chave para a pressão sobre o sistema.
Segundo Heather Zichal, chefe global de sustentabilidade, e Michael Johnson, responsável pela iniciativa de segurança e resiliência para energia e governo dos EUA, os atrasos elevam custos para quem tem menor capacidade de absorvê-los. Ao mesmo tempo, o banco reforça preocupações com riscos à segurança nacional ligados à rede.
Os analistas destacam que a degradação da rede ocorre em meio a gargalos de infraestrutura, mudanças nas fontes de energia e crescimento da demanda, o que tende a pressionar ainda mais os preços de insumos. Em março, o JPMorgan havia classificado a manutenção inadequada da rede como um risco relevante para a economia.
O texto aponta que, para estimular investimentos, é preciso um ambiente regulatório mais estável e previsível. Os executivos citam exemplos da União Europeia, onde reformas de redes, com prazos definidos, ajudam a direcionar recursos para infraestrutura crítica, como data centers, medicamentos e minerais.
Eles ressaltam que, sem diretrizes claras, custos de financiamento sobem e investimentos são desincentivados. O pacote regulatório da UE é citado como modelo de previsibilidade para acelerar licenças e tornar a rede mais eficiente e resiliente.
O JPMorgan também mantém o foco na necessidade de capital para redes elétricas, afirmando que as barreiras não são apenas financeiras, mas estruturais. A instituição estima a importância de investimentos robustos para reduzir riscos de segurança e de abastecimento.
A BloombergNEF aponta que ameaças cibernéticas aumentam o risco para redes elétricas globais, com ataques que podem mirar tanto a infraestrutura física quanto sistemas digitais. A expansão de energia distribuída amplia a superfície de ataque, segundo a agência.
De acordo com o banco, a atual lacuna regulatória nos EUA contribui para custos mais altos, processos de aquisição lentos e atrasos em investimentos necessários. O relatório ressalta a urgência de melhorias para reduzir impactos sobre famílias endividadas pela alta de energia.
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