- Em artigo para a CNN Infra, Marisete Pereira, presidente da Abrage, defende que reduzir os parâmetros de aversão ao risco no setor elétrico pode comprometer a segurança energética e elevar os custos ao consumidor.
- Nas próximas semanas, o setor discutirá como esses parâmetros são usados nos modelos do Sistema Interligado Nacional (SIN) e na formação dos preços da energia.
- A transformação da matriz por fontes renováveis não controláveis, como eólica e solar, associada ao crescimento da demanda, aumenta a necessidade de flexibilidade e de gestão dos reservatórios hidrelétricos.
- Os parâmetros atuais estariam alinhados à realidade operativa, mesmo diante de mudanças estruturais, e avanços nos modelos ajudam a refletir melhor a operação real do sistema.
- O debate também envolve custos de segurança energética que não aparecem apenas no curto prazo, incluindo encargos sistêmicos e despacho adicional, exigindo coerência entre operação, planejamento e preços.
Nas próximas semanas, o setor elétrico brasileiro voltará a debater os parâmetros de aversão ao risco usados nos modelos que orientam a operação do SIN e a formação dos preços da energia. A discussão envolve técnicos, reguladores e agentes do setor, com foco em impactos sobre segurança energética e tarifas.
Marisete Pereira, presidente da Abrage, afirma que reduzir esses parâmetros pode comprometer a confiabilidade do sistema e elevar os custos ao consumidor. O argumento é que, em um quadro de maior participação de fontes renováveis não controláveis, a avaliação de risco precisa refletir a realidade operacional.
A presidente da Abrage ressalta ainda que o debate não é apenas sobre preços imediatos, mas sobre a capacidade de manter o fornecimento estável nos próximos anos. Ela aponta transformações recentes na matriz elétrica brasileira e a crescente importância de reservatórios hidrelétricos para modular a geração ao longo do dia.
Contexto e transformações da matriz
A expansão de fontes intermitentes, como eólica e solar, coincidiu com crescimento da demanda, aumentando a complexidade da operação do sistema. A maior presença de micro e minigeração distribuída reforça a necessidade de flexibilidade e previsibilidade operacional.
Segundo a Abrage, a calibração dos parâmetros de aversão ao risco deve considerar a dependência maior de recursos flexíveis e a possível atuação de encargos sistêmicos, despachos adicionais e outras medidas para manter a confiabilidade.
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