- Ministério Público Federal e a Caixa Econômica Federal identificaram ao menos 158 cadernetas de poupança abertas por pessoas escravizadas no século XIX.
- O levantamento reúne cerca de 14 mil documentos com mais de 150 anos, divulgado pelo jornal O Globo.
- O dinheiro guardado servia para pagar a carta de alforria; estima-se que o montante correspondente hoje equivaleria a cerca de R$ 300 mil.
- A Lei do Ventre Livre, de 1871, reconheceu oficialmente esse direito, embora a prática já ocorresse antes entre trabalhadores remunerados.
- O MPF, comandado pelo procurador Julio Araujo, busca identificar herdeiros e discutir reparações, já que muitos registros trazem apenas o primeiro nome da pessoa escravizada.
Uma apuração do Ministério Público Federal (MPF), em parceria com a Caixa Econômica Federal, identificou ao menos 158 cadernetas de poupança abertas por pessoas escravizadas no Brasil do século XIX. O material reúne cerca de 14 mil documentos com prazo de mais de 150 anos. O levantamento é apresentado ao público pelo jornal O Globo.
A Caixa foi criada pelo Império em 1861 para atender a população de baixa renda. Na prática, muitos escravizados guardavam parte de sua remuneração para buscar a alforria, mediante a chamada carta de alforria. A estimativa atual aponta que o montante total equivaleria hoje a aproximadamente R$ 300 mil.
Desse modo, parte dos recursos pode ter ficado sem resgate após a abolição da escravatura e a Proclamação da República. O MPF investiga como esses valores foram geridos e quais destinos receberam, se houve saques ou transferências.
Busca por herdeiros
O procurador Julio Araujo coordena a linha de apuração que aponta falhas na organização dos arquivos e ausência de informações sobre o destino dos recursos. Além de solicitar um pedido formal de desculpas, o MPF busca reparações coletivas e individuais.
O principal desafio é encontrar eventuais herdeiros das contas, já que muitos registros trazem apenas o primeiro nome da pessoa escravizada e o nome do proprietário da época. A continuidade das investigações visa esclarecer direitos humanos violados.
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