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Crescimento por aquisições pressiona dívidas de provedores regionais de internet

Relatório mostra que expansão por aquisições elevou a alavancagem de ISPs regionais, pressionando crédito e spreads de debêntures

Crescimento via aquisições cobra preço e pressiona dívidas de provedores regionais de internet
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  • Relatório da Credit Guide aponta que provedores de internet regionais que cresceram via aquisições apresentam maior estresse de crédito, com alavancagem elevada e governança frágil, mantidos juros altos.
  • Empresas com expansão mais conservadora conseguiram manter balanços mais saudáveis, mesmo em ambiente macro desfavorável; as que adotaram crescimento agressivo viram spreads de crédito mais altos.
  • Giga+, holding do grupo Alloha, registrou aumento significativo nos spreads de debêntures, endividamento próximo dos covenants (3,58x dívida líquida/Ebitda) e fez aquisições no interior de São Paulo.
  • Brasil TecPar, da bolsa Macquarie Capital, teve alavancagem de 2,86x Ebitda e spreads de debêntures acima de 2 pontos percentuais desde o início do ano, impulsionados por aquisições como a Liga.
  • Brisanet e Unifique mostram alavancagens menores e spreads estáveis ou negativos, com foco em crescimento orgânico (Brisanet) ou aquisições moderadas e integração disciplinada (Unifique).

A escalada de aquisições no setor de provedores regionais de internet elevou o peso da dívida de boa parte das empresas, diante de juros altos. O relatório da Credit Guide aponta que o modelo de crescimento inorgânico, financiado por endividamento, ampliou o estresse de crédito entre as ISPs.

Segundo o documento, provedores com gestão mais conservadora conseguiram manter balanços mais firmes, mesmo com o cenário macro desfavorável. Já aqueles que aceleraram a expansão apresentaram maior dificuldade para honrar compromissos, com spreads de crédito em alta.

A Giga+, holding do grupo Alloha, destaca pelo aumento de spreads em debêntures, com vencimento em 2035, negociadas a IPCA + 9,37%. A companhia fechou 2024 com dívida líquida/Ebitda de 3,58x, próximo aos covenants de 3,85x.

A Giga+ movimentou-se fortemente em aquisições inorgânicas em 2024-2024, registrando seis compras no interior de São Paulo, conforme dados da Pulso. O atalho para o crescimento elevou a alavancagem da empresa, segundo o relatório.

Outra vez, a Brasil TecPar, controlada pela Brasil TecPar do Macquarie, realizou nove aquisições no Sul do país. Com alavancagem de 2,86x Ebitda, seus spreads subiram mais de 2pp desde o início do ano, e debêntures chegam a IPCA + 11,28% com around 4,16pp de spread.

A desvalorização de dívida da Brasil TecPar está associada à aquisição da Liga, provedora incorporada em 2020 pelo fundo Bordeaux, após controvérsias ligadas ao Master. O caso evidencia como operações de private equity pesam na alavancagem.

O Credit Guide destaca que empresas financiadas por private equity adotaram estratégia agressiva de aquisição, com dívidas pesadas e dependência de novas emissões para rolar vencimentos. O resultado foi elevação de alavancagem até 2025.

A Vero, segundo maior ISP privado, também viu spreads saltarem, chegando a 11 pp, com maior endividamento. A estrutura de dívida tem custo médio anual de cerca de 20%, consumindo boa parte do caixa gerado.

Com alavancagem de 3,1x e covenants de 3,5x, a Vero fica mais exposta a choques de mercado, segundo o relatório. Analistas comparam o perfil da Vero ao de pares mais saudáveis, como a Brisanet.

A Brisanet, em contraste, manteve spreads baixos, com debêntures próximas de 0% a 1%. Um título de 2032 opera com IPCA + 8,04% e spread de 0,34%, apontam dados do relatório, refletindo foco no crescimento orgânico.

A Unifique apresenta menor alavancagem, com dívida líquida de 43% do Ebitda. A empresa realizou 20 aquisições desde o IPO em 2021, sempre de pequenos provedores da região Sul, com integração disciplinada.

As debêntures da Unifique chegaram a spreads negativos e, mesmo com piora do mercado, ficaram abaixo de 1%. O papel 2028 apresenta spread de 0,62% e rendimento de IPCA + 5,34%.

O relatório ressalta que a qualidade de crédito real dessas companhias ainda varia. A tese de ISPs regionais permanece válida, desde que haja seleção rigorosa e melhoria de caixa para sustentar a dívida em juros elevados.

No agregado, o Credit Guide aponta que o sucesso depende da geração de caixa para suportar o serviço da dívida, especialmente diante de juros ainda altos. A sinalização é de cautela para empresas com alta alavancagem.

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