- O PIB brasileiro ficou acima da média do G20, o desemprego está na mínima histórica, a inflação de 2025 ficou abaixo do teto da meta e salários subiram acima da inflação, com milhões que passaram a ter emprego e deixaram de pagar IR.
- Mesmo assim, a aprovação do governo é baixa: cerca de metade dos eleitores acredita que a economia está pior hoje do que no ano anterior.
- Explicações comuns buscam dados macro fora dos grandes agregados; em 2025 apontava-se inflação de alimentos, e em 2026 o endividamento aparece como fator.
- A hipótese é de que a percepção depende de memória, expectativas e do modo como os eleitores recebem informações, não apenas de números.
- Aproximação com os eleitores por meio dos meios de comunicação atuais é tão importante quanto apresentar resultados, e, segundo o texto, o governo Lula ainda está atrás nisso.
O texto analisa por que o eleitor não reage de forma positiva aos números econômicos, mesmo com indicadores favoráveis. Economistas Laura Carvalho e Guilherme Klein discutem como a relação entre dados e percepção pública não está mais tão direta quanto antes. O artigo questiona a relação entre desempenho macro e popularidade do governo Lula 3.
Segundo os autores, o PIB brasileiro tem performance superior à média do G20, o desemprego está em níveis baixos e a inflação de 2025 ficou abaixo da meta. Há milhões de pessoas que passaram a ter emprego, pagavam imposto de renda e hoje não pagam mais, e salários em alta acima da inflação. Mesmo assim, a aprovação do governo permanece baixa e há eleitores que avaliam a economia como pior do que no ano anterior.
A leitura tradicional que relacionava apenas dados macro a popularidade ganha menos convicção. Dados de inflação de alimentos no começo de 2025 e o endividamento em 2026 aparecem como fatores que podem explicar parte da avaliação negativa. Entretanto, os pesquisadores destacam que explicações baseadas em números costumam ser insuficientes e podem soar como justificativas sem previsão.
A análise aponta para o papel da memória e das expectativas dos eleitores. A forma como a economia é percebida depende de referências passadas e de experiencias individuais, não apenas de indicadores atuais. Mesmo com a inflação sob controle, a inflação residual e a comparação com períodos anteriores influenciam a percepção de melhoria.
Percepção, memória e comunicação
A hipótese defendida é que a forma de entender a economia depende de memórias do eleitor e das narrativas dominantes. O modo como as pessoas consomem informações hoje, mais por redes do que pela imprensa tradicional, facilita a difusão de narrativas contrárias ao governo. Isso reduz o impacto de resultados macro positivos sobre a aprovação.
Observa-se ainda que, em contextos internacionais, fenômenos semelhantes aparecem. Nos Estados Unidos, por exemplo, o crescimento econômico em 2024 não impediu uma percepção de recessão entre o público. Mudanças políticas podem reverter avaliações de maneira rápida conforme a comunicação pública.
Ou seja, se a explicação for correta, conectar-se com o eleitor por meio dos canais de comunicação atuais pode ser tão relevante quanto mostrar números positivos. Nesse aspecto, o governo Lula estaria em desvantagem, segundo a análise.
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