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Estímulos econômicos do governo Lula chegam a 140 bilhões neste ano eleitoral

Pacote de estímulos do governo Lula soma 140 bilhões, com isenção do IR até R$ 5 mil e crédito; busca estimular consumo, mas pode pressionar a inflação

Foto: Wilton Junior/Estadão
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  • O governo Lula já anunciou cerca de R$ 140 bilhões em medidas de estímulo à economia para 2025 e 2026, com ações para acelerar a demanda sem aumentar o gasto primário do governo.
  • As principais medidas incluem a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil mensais, crédito para caminhoneiros e para o programa Minha Casa, Minha Vida, além de benefícios para reduzir custos de energia para famílias de baixa renda.
  • Analistas do BTG Pactual apontam efeito líquido positivo sobre a economia, com revisão do PIB para cima, porém inflação projetada mais alta, de 4,7% para 4,9%, impulsionada principalmente por serviços.
  • O governo afirma que, desde o início do mandato, 72 matérias de perfil econômico já foram aprovadas pelo Congresso, sendo 40 com participação direta da Fazenda, e que as medidas são parafiscais, com efeito direto sobre a vida das pessoas.
  • Em abril, foi anunciada a expansão do Move Brasil, com 21,2 bilhões em crédito para caminhões, ônibus e implementos rodoviários, com juros baixos e prazos de até dez anos, a ser operado pelo BNDES.

Em meio a críticas sobre a elevação da taxa de juros, o governo Lula anunciou estímulos à economia que somam cerca de R$ 140 bilhões. As medidas visam impulsionar o consumo, mas devem manter pressão sobre a inflação, especialmente em ano eleitoral.

Levantamento do BTG Pactual aponta dez propostas já em vigor ou em implementação. Entre elas estão a isenção do IR até renda mensal de R$ 5 mil, crédito para caminhoneiros e para o programa Minha Casa, Minha Vida, além de medidas para reduzir custos de energia para famílias de baixa renda.

Segundo o economista Fábio Serrano, do banco, o cálculo considera o efeito líquido das medidas, sem impacto primário direto nas contas públicas. O objetivo é estimular a demanda, mantendo o gasto público sob controle.

O Ministério da Fazenda informou que, desde o início do governo, 72 matérias de perfil econômico foram aprovadas pelo Congresso, sendo 40 com participação da pasta. A avaliação é de que as medidas refletem sintonia com demandas da sociedade.

Entre as principais ações está a isenção do IR até R$ 5 mil, entrada em vigor no início do ano. A estimativa do BTG é de que haja uma injeção de cerca de R$ 31 bilhões na economia, com compensação pela tributação de quem ganha mais de R$ 50 mil mensais.

Apesar de a medida impulsionar consumo, há frustração em parte da base governista diante de resultados de pesquisa de intenção de votos. A proposta é defendida por membros da administração, inclusive com divulgação de impactos nos holerites.

O banco revisou a perspectiva de crescimento do PIB para este ano, de 1,7% para 1,9%, elevando também a previsão de inflação de 4,7% para 4,9%. A inflação de serviços é apontada como pressão adicional, parcialmente atribuível aos estímulos.

Além disso, o governo projeta déficit primário de cerca de R$ 50 bilhões para este ano, segundo o Boletim Macro Fiscal. O déficit deve ficar abaixo da meta prevista na LDO, possibilidade que depende de ajustes em despesas autorizadas em lei.

No fim de abril, ocorreu a expansão do Move Brasil, com mais de R$ 21,2 bilhões em crédito para caminhões, ônibus e outros veículos pesados. A nova etapa amplia o público-alvo com financiamento de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, com linhas de juros mais baixas e prazos de até dez anos. O BNDES ficará responsável pela operacionalização.

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