- A Savassi, em Belo Horizonte, enfrenta fechamento de lojas e sensação de abandono, com comerciantes apontando insegurança, zeladoria urbana deficiente e falta de políticas públicas efetivas.
- O presidente do SindLojas BH, Salvador Ohana, associa o problema ao “Custo Savassi”, equivalente ao “Custo Brasil”, devido ao ônus urbano causado pela degradação de espaços públicos e pela presença de pessoas em situação de rua.
- O desafio acontece fora das mãos do comércio: depende da circulação de pessoas na rua, e há comparação com Lourdes e Belvedere, onde shoppings trazem sensação de segurança que a Savassi não tem.
- Moradores e empresários destacam falhas na limpeza urbana, iluminação pública precária e coleta de lixo irregular, contribuindo para a percepção de degradação.
- Entre as reivindicações estão reforço na segurança, melhoria da limpeza, fiscalização mais presente e políticas públicas para a população em situação de rua; a série destaca ainda o custo de aluguéis e outros fenômenos como “efeito hipercentro” e “efeito Lagoinha”.
O fechamento de lojas na Savassi acende o debate sobre um eixo tradicional de Belo Horizonte. Comerciantes relatam portas fechadas e moradores indicam sensação de abandono, em meio a insegurança e falhas na zeladoria pública. A crise é apresentada como parte de um fenômeno urbano maior, que ultrapassa o bairro Centro-Sul da cidade.
Representantes do setor afirmam que o custo operacional aumenta devido a problemas da infraestrutura urbana, presença de pessoas em situação de rua e percepção de insegurança. A leitura é de que o problema acontece principalmente no espaço público, onde circulam os clientes.
Diferentemente de áreas com shopping centers, a Savassi depende da rua para atrair público. Enquanto outros bairros contam com complexos comerciais, comerciantes dizem que a praça pública não oferece o mesmo nível de segurança, o que afeta as portas abertas.
O presidente do SindLojas BH, Salvador Ohana, sintetiza o quadro com o termo Custo Savassi, análogo ao Custo Brasil. Para ele, degradação de espaços, iluminação carente e abandono urbano pesam sobre o dia a dia dos lojistas.
Ohana compara a situação com bairros que possuem centros de compras ao redor, como Lourdes e Belvedere. Segundo ele, o shopping gera segurança, enquanto na Savassi as portas se fecham e o problema está no entorno público, não no empreendimento.
Para comerciantes, a cidade como um todo está perdendo valor de prestígio. Paulo Vasconcelos cita infraestrutura deficiente, IPTU alto, IPVA pago e retorno público insuficiente como parte de um desgaste maior da cidade.
Moradores também apontam falhas recorrentes na limpeza urbana, iluminação precária e dificuldade na coleta de lixo. Esses pontos contribuem para a percepção de degradação e afastam visitantes e consumidores.
A crise da Savassi é vista como mais visível justamente pela sua importância histórica e cultural. Ohana ressalta que outros bairros passam por dificuldades semelhantes, mas a expressão da crise na Savassi ganha maior repercussão por seu peso simbólico.
A região, tradicional ponto de vida noturna, gastronômica e cultural, tem hoje o desafio de recuperar dinamismo para evitar o esvaziamento gradual. Reivindicações passam por segurança, limpeza, fiscalização e apoio a moradores de rua.
O custo Savassi e o que está em jogo
A crise é discutida como parte de uma tendência que pode se refletir em outras áreas do centro. Comerciante ressaltam que, sem ações integradas, o bairro pode perder protagonismo adquirido ao longo de décadas.
Na próxima reportagem da série Adeus, Savassi, a pauta avançará para entender o impacto dos aluguéis altos na divisão entre alta e baixa Savassi, e como fenômenos como hipercentro e Lagoinha passam a influenciar a circulação de pessoas e negócios.
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