- Os gigantes privados da comercialização de commodities — Trafigura, Glencore, Vitol, Mercuria e Gunvor — lucram com o choque energético causado pela guerra no Oriente Médio, ampliando ganhos em comparação a 2022.
- Glencore projeta manter lucros superiores a 3,5 bilhões de dólares neste ano, buscando o melhor resultado desde 2022.
- Vitol, que não divulga resultados públicos, teve ganho aproximado de 2 bilhões de dólares no primeiro trimestre, somando ao longo de 2022 a 2024 cerca de 37 bilhões de dólares.
- Trafigura registra um dos seus melhores primeiros trimestres, enquanto Gunvor teve lucro bruto no período superior ao do ano anterior.
- As empresas se beneficiam da volatilidade de preços, da disponibilidade denavios e de cadeias de suprimento próprias, mantendo forte financiamento para enfrentar a volatilidade do mercado.
O choque energético causado pela guerra no Oriente Médio impulsiona os lucros de grandes traders de commodities. Trafigura, Glencore, Vitol, Mercuria e Gunvor elevam ganhos ao oferecer serviços que vão da compra à venda de petróleo, derivados e metais.
Essas empresas, muitas privadas, controlam parte do processo de fornecimento: possuem minas, instalações de armazenamento e frotas de transporte. O objetivo é assegurar preços competitivos para clientes, mesmo em cenários voláteis.
No primeiro trimestre, as contas apontam para resultados expressivos. Glencore, com sede na Suíça, sinaliza que o lucro anual pode superar 3,5 bilhões de dólares. A projeção indica o melhor resultado desde 2022.
A Vitol também reporta ganhos relevantes para o período, estimados em cerca de 2 bilhões de dólares. A organização não divulga resultados públicos frequentes, administrando ativos de forma privada.
Trafigura, segundo maior comerciante de petróleo, apresentou desempenho forte no trimestre, enquanto Gunvor registrou lucro bruto superior ao do ano anterior, já no acumulado do período. O cenário atual favorece a atuação dessas companhias.
Mercuria destaca-se pela capacidade de evitar interrupções logísticas, mesmo com tensões na região. Coletivamente, as empresas aproveitam a volatilidade de preços e o amplo conhecimento da cadeia de suprimento para maximizar margens.
Entre as estratégias comuns estão roteamento de cargas, escolha de rotas mais lucrativas e maior liquidez para enfrentar flutuações. Analistas lembram que essas companhias funcionam como “sensores” de mercado em tempo real.
O contexto envolve alta nos preços do petróleo e limitadas condições de fornecimento, além de mudanças logísticas, como desvio de rotas para a Ásia. A atuação dessas traders facilita encontros entre compradores e vendedores.
A indústria também depende de financiamento robusto. Em março, Trafigura anunciou uma linha de crédito de 3 bilhões de dólares para enfrentar períodos de maior volatilidade. Outros bancos fortalecem esse colchão financeiro.
Especialistas destacam que o papel dessas empresas é facilitar a oferta e a demanda. Abertura de dados e transparência são pontos centrais para reduzir distorções de mercado e evitar controvérsias futuras.
Casos de controvérsia já aparecem na história, como condenação de 150 milhões de dólares da Glencore por corrupção na República Democrática do Congo. Essas referências influenciam a percepção pública sobre o setor.
Mudanças de liderança também marcam o setor. Gunvor alterou sua direção em 2024, após críticas internacionais ligadas a acordos com ativos fora da esfera russa, destacando os riscos de reputação enfrentados por grandes traders.
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