- Goldman Sachs e Bank of America passaram a não projetar cortes de juros do Federal Reserve neste ano; o Goldman indica dezembro de 2026 e o Bank of America, julho de 2027, citando dados de emprego e inflação fortes.
- O relatório de emprego de abril mostrou criação robusta de vagas, fortalecendo o mercado de trabalho mesmo com a guerra no Irã embolando os preços do petróleo.
- O rendimento de títulos de dois anos dos EUA subiu para cerca de 3,93%, indicativo de reajustes na curva de juros diante de novas expectativas do Fed.
- O mercado permanecem dividido: alguns analistas ainda veem cortes até o fim do ano, enquanto outros acreditam que o aperto pode se manter ou até subir, dependendo da inflação.
- Os próximos dados de inflação, com CPI e PPI, devem embasar a leitura sobre o caminho da política monetária.
Ao menos dois grandes bancos de Wall Street revisaram suas previsões sobre cortes de juros nos EUA, sugerindo que o Federal Reserve manterá as taxas inalteradas ao menos até o fim deste ano. Goldman Sachs e Bank of America passaram a apostar em cortes mais tardios, ou até mesmo em uma pausa prolongada até 2027, diante de dados de emprego e inflação mais fortes que o esperado.
A mudança acompanha o temor de que o conflito no Irã e a volatilidade dos preços do petróleo continuem alimentando pressões inflacionárias. Investors passaram a precificar alta probabilidade de política monetária estável ao longo de 2026, com possibilidade de ajuste de juros ainda para o começo de 2027.
A sinalização de maior firmeza partiu também de membros do próprio Fed, incluindo dissidentes na última reunião, que indicaram a possibilidade de alta como próxima opção de movimento, caso os fundamentos da inflação persistam. Os dados de emprego de abril mostraram criação de vagas além do previsto, fortalecendo o quadro de mercado de trabalho resistente.
Perspectivas de cortes e impactos no mercado
Os próximos indicadores de inflação, como o CPI e o PPI, serão divulgados na terça e na quarta-feira. Analistas apontam que os números podem confirmar a necessidade de manter a política estável por mais tempo. Em resposta, o mercado de Treasuries passou a reagir com maior volatilidade, sobretudo nos títulos de dois anos, sensíveis a mudanças de juros.
O rendimento de dois anos chegou a registrar alta recente, mantendo-se em patamar próximo do pico que se mantém desde o início de conflitos geopolíticos. A demanda por refinanciamento do Tesouro, com novas emissões, também influenciou o movimento nos rendimentos e no dólar, que ficou estável segundo observações de mercado.
O que dizem bancos e analistas
A equipe de economia do Bank of America destacou que a inflação subjacente permanece elevada, o que sustenta a visão de cortes adiados para 2027. Já o Goldman Sachs ajustou a previsão de o próximo corte ocorrer apenas em dezembro de 2026, com revisão para baixo na probabilidade de recessão nos EUA nos próximos 12 meses.
Apesar disso, permanece o debate entre os analistas de Wall Street. Alguns, especialmente do Citigroup, mantêm a esperança de cortes ainda neste ano, argumentando que o aperto monetário já foi excessivo frente a sinais de desaceleração do emprego e do crescimento salarial.
A combinação de dados de emprego mais fortes que o esperado e sinais de inflação persistente alimenta a expectativa de que o Fed adote uma postura mais cautelosa no near term. Com isso, as mercados aguardam os próximos desdobramentos da política monetária e de reformas fiscais que possam influenciar a trajetória das taxas.
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