- A GP Investimentos passa a ser uma casa de capital permanente, investindo principalmente recursos próprios, deixando de ser apenas gestora de private equity.
- Rodrigo Boscolo assume o cargo de CEO, substituindo Bonchristiano; Bonchristiano e Fersen Lambranho passam a atuar como co-chairmen.
- A mudança busca evitar ciclos de investimento e desinvestimento, além de abrir mão dos custos e obrigações de uma empresa de capital aberto.
- Em dois mil e vinte e três, com capital do ADIA, a GP fechou o capital da BR Properties; em dois mil e vinte e dois retirou da bolsa a Spice, gestora suíça controlada pela GP.
- A base de capital da GP permanece concentrada em investimentos históricos, como o Grupo SBF e a BR Properties; novas operações devem ocorrer via veículos específicos, não fundos pulverizados entre vários cotistas.
A GP Investimentos anunciou uma mudança estratégica: a empresa deixará de ser uma gestora de fundos de private equity para virar uma casa de capital permanente que investe principalmente com capital próprio. A transição envolve a troca de CEO, com Rodrigo Boscolo assumindo o posto no lugar de Bonchristiano, que passa a co-chairman ao lado de Fersen Lambranho.
Segundo Lambranho, a mudança permite a empresa se livrar dos ciclos de investimento e desinvestimento em janelas específicas, ganhando flexibilidade para acompanhar oportunidades. A diretoria afirma que o modelo anterior gerava travas relacionadas a levantamentos de recursos e prazos de divulgação.
Desde a fundação, em 1993, a GP foi associada ao private equity no Brasil, criada por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. A nova estratégia marca a maior transformação desde então, segundo quem acompanha o movimento.
Nova liderança e direção
Boscolo, com 16 anos de casa e oito como CFO, assume como CEO; Bonchristiano passa a co-chairman com Lambranho. A mudança ocorre em meio a fechamentos de capital recentes que, para a GP, ampliaram a exposição a investimentos próprios. A empresa destaca a continuidade do forte alinhamento com o portfólio existente.
A gestão afirma que não pretende levantar recursos na Bolsa para novos investimentos, entendendo que o status de capital fechado reduz custos e obrigações de disclosure. A equipe sustenta que isso facilita a execução de operações com maior apetite de risco.
Boscolo aponta que a GP pode estruturar veículos para aportes mais relevantes, sem pulverizar recursos entre diversos negócios. A ideia é manter foco em ativos com potencial de melhoria de eficiência e ganhos de escala.
Portfólio e investimentos
Questionada sobre o montante disponível, a GP não detalha a posição de caixa, citando a natureza de capital fechado. Rodrigo afirma que há capital para novas oportunidades, com base em recursos oriundos de ajustes de carteira.
Historicamente, a GP manteve participações relevantes, como no Grupo SBF (Centauro) e na BR Properties, cuja venda gerará recursos para novas aquisições. Em 2012, a GP comprou 30% da Centauro; hoje detém cerca de 10%, avaliada em aproximadamente R$ 2,6 bilhões na B3.
A BR Properties permanece 100% sob controle da GP, com valor patrimonial próximo a R$ 1 bilhão no fechamento de 2023. A gestora já investiu cerca de US$ 5 bilhões em 50 empresas desde 1993.
Em setembro de 2024, a GP investiu US$ 8 milhões por 18% da IZEA, empresa de influencer marketing listada na Nasdaq, ganhando dois assentos no conselho, ocupados por Bonchristiano e Rodrigo.
Rodrigo reforça que a estratégia envolve aporte de capital com foco em alocação eficiente, buscando valor além do capital, com melhorias operacionais e oportunidades de crescimento. O objetivo é manter a trajetória de aprendizado e atuação histórica da GP.
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