- Banco Central prevê maior diferenciação nas taxas de crédito imobiliário entre famílias de diferentes rendas no novo modelo, começando a aparecer desde novembro do ano passado com cerca de 0,4% de diferença a favor de renda mais baixa.
- A diferença já é observada em financiamentos de até 30 anos, em que rendas menores pagam juros levemente menores do que rendas maiores.
- O benefício varia conforme o valor do imóvel: até 1 milhão de reais terá maior vantagem; entre 1 milhão e aproximadamente 2,2 milhões, benefício menor; acima disso, ainda menor.
- O objetivo é ampliar oferta estável de crédito, mantendo taxas iguais ou inferiores às de hoje, sem grandes saltos no futuro.
- A meta é levar o crédito imobiliário a entre 20% e 30% do PIB, ante cerca de 6% hoje, com estrutura de financiamento baseada em fontes além da Taxa Referencial (TR).
O Banco Central (BC) divulgou que o novo modelo de crédito imobiliário deve ampliar a diferença de taxas entre famílias de maior e menor renda. A afirmação foi feita pelo diretor de regulação e organização do sistema financeiro e resolução, Gilneu Vivan, nesta segunda-feira (11). A expectativa é que a abertura já apareça em dados de novembro do ano passado, com juros menores para renda mais baixa.
De acordo com Vivan, historicamente as taxas de crédito imobiliário no Brasil seguem próximos entre diferentes faixas de renda. Ele destacou que famílias que recebem dois, três ou quatro salários mínimos pagam valores próximos aos cobrados de pessoas com renda acima de dez salários.
Detalhes do novo modelo
O BC explicou que a diferenciação ocorrerá conforme o valor do imóvel financiado. Imóveis até 1 milhão de reais terão maior benefício, entre 1 milhão e cerca de 2,2 milhões o benefício será menor e acima desse patamar o incentivo será ainda mais reduzido.
Vivan reafirmou que as taxas devem acompanhar o mercado, sem saltos abruptos, mantendo-se iguais ou inferiores aos patamares atuais.
Ele ressaltou que o objetivo é ampliar a oferta de crédito imobiliário de forma estável ao longo do tempo, com uma estrutura diferente de captação pelos bancos. A poupança deverá perder peso como fonte de financiamento, abrindo espaço para recursos de outros mercados, especialmente o mercado de capitais.
Desafios e metas
O diretor afirmou que o maior desafio é construir um modelo de empréstimo com prestação previsível, independentemente do indexador utilizado. Em paralelo, o BC pretende elevar a participação do crédito imobiliário no PIB, de cerca de 6% para entre 20% e 30%, aproximando-se de patamares observados em países de renda média.
Vivan explicou que, para isso, será necessário estruturar operações compatíveis com fontes de financiamento diferentes da Taxa Referencial (TR). Com a poupança não crescendo no mesmo ritmo, a relação com a Selic e spreads deverá ganhar relevância.
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