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Pequena indústria tem pior resultado desde a pandemia, aponta CNI

Juros altos e custo de insumos pressionam pequenas indústrias, que atingem pior resultado desde a pandemia e reduzem produção e confiança

Indústrias
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  • O desempenho das pequenas indústrias caiu para 43,7 pontos no primeiro trimestre de 2026, o menor desde o segundo trimestre de 2020.
  • Juros elevados, dificuldade de acesso ao crédito e aumento no custo das matérias-primas pressionam as empresas, reduzindo produção, uso da capacidade e contratação de pessoas.
  • A situação financeira piorou, com o índice de condições financeiras em 39 pontos, o menor dos últimos cinco anos.
  • O custo das matérias-primas passou a ser uma das maiores preocupações, subindo de 20% para 34,1% entre os empresários.
  • A confiança do empresário industrial ficou em 44,6 pontos em abril, abaixo da linha de 50 pontos há 17 meses, com perspectivas moderadas de 47,4 pontos para os próximos meses.

A indústria brasileira de menor porte registrou o pior desempenho desde o auge da pandemia de Covid-19, conforme levantamento da CNI divulgado nesta segunda-feira, 11. O Panorama da Pequena Indústria aponta queda na produção, na utilização da capacidade e na geração de empregos no 1º trimestre de 2026. Juros altos, crédito mais difícil e custo elevado de insumos aparecem como os principais entraves.

O índice de desempenho das pequenas indústrias caiu para 43,7 pontos no 1º trimestre, menor patamar desde o 2º trimestre de 2020, quando chegou a 34,1 pontos. O relatório avalia volume de produção, uso da capacidade e empregados. O resultado indica produção menor, uso reduzido da estrutura e contratação menor.

Caixa pressionado

A situação financeira das pequenas indústrias piorou. O índice de condições financeiras caiu 2,5 pontos, chegando a 39 pontos, a pior marca dos últimos cinco anos. O indicador mede acesso ao crédito, margem de lucro e satisfação com a situação financeira.

Entre os fatores, a analista Julia Dias cita juros altos como dificultadores de financiamento, considerado maior risco pelos bancos. O aumento no preço de insumos, influenciado pela guerra no Oriente Médio, também reduz a margem de lucro.

Matéria-prima preocupa

O custo das matérias-primas passou a ser uma das maiores preocupações do setor. Em transformação, o problema subiu da 6ª para a 2ª posição entre entraves. Empresários indicaram dificuldade de insumos em 34,1%, ante 20% no trimestre anterior.

Na construção civil, a preocupação com falta ou custo elevado de insumos avançou de 4,1% para 18,1%, levando o tema da 13ª para a 5ª posição entre problemas do setor.

Juros elevados

A carga tributária permanece como dificuldade relevante, ainda que tenha recuado um pouco desde o fim de 2025. Nos empreendimentos da construção, os juros altos aparecem como segundo maior problema. A preocupação com taxas de juros subiu de 30,9% para 37,1%.

A CNI afirma que juros encarecem financiamentos, reduzem investimentos e dificultam o crescimento de pequenas empresas.

Confiança baixa

A confiança dos empresários continua em tendência de queda. O Icei das pequenas indústrias ficou em 44,6 pontos em abril, menor nível desde junho de 2020, e fica abaixo da linha de 50 pontos há 17 meses.

Expectativas moderadas

As perspectivas para os próximos meses aparecem cautelosas. O índice de perspectivas da pequena indústria ficou em 47,4 pontos, sinalizando visão moderada sobre demanda, produção, contratações e investimentos, com recuperação gradual esperada por parte de algumas empresas.

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