- Brasil tem 82,8 milhões de pessoas endividadas, segundo o Mapa da Inadimplência do Brasil da Serasa Experian, o que afeta o acesso a crédito e a bens de consumo.
- Postagens virais com chamadas apelativas incentivam manter o nome sujo e desincentivam a renegociação, sem mostrar as consequências da inadimplência.
- Há quem afirme que as dívidas caducam após cinco anos, mas especialistas dizem que a dívida não expira; a negativação pode prescrever para cobrança judicial após esse prazo.
- Mesmo após cinco anos, a dívida pode ser renegociada de forma extrajudicial; esperar pela prescrição não é recomendado devido ao risco de ações judiciais e penhora de bens.
- A inadimplência impacta a economia e aumenta o custo do crédito para todos, pois reduz o score e dificulta empréstimos, financiamentos e produtos financeiros.
O aumento de conteúdo viral nas redes sociais incentiva a inadimplência e dissemina informações falsas sobre renegociação de dívidas. Dados do Serasa Experian indicam que 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados em março, impactando crédito e consumo. Enquanto isso, publicações virais defendem manter o nome sujo para supostamente evitar cobranças.
Especialistas afirmam que as postagens não refletem a realidade e subestimam as consequências da inadimplência. O conteúdo envolve mensagens apelativas que desencorajam renegociação e promovem a ideia de que dívidas prescrevem após cinco anos, o que não ocorre dessa forma na prática.
Ao explicar os impactos, profissionais ressaltam que a negativação reduz o score de crédito e dificulta acesso a empréstimos, financiamentos, cartões e crédito no varejo. A penalidade permanece mesmo com a prescrição, pois a dívida continua existindo até ser quitada.
Desmistificando a prescrição
O argumento de que dívidas se apagam após cinco anos é falso segundo especialistas. A legislação impede a cobrança judicial após esse prazo, mas a dívida pode permanecer vigente e sujeita a renegociação extrajudicial. O alerta é evitar a espera sem planejamento financeiro.
A Serasa destaca que renegociação ainda é possível após cinco anos, mas aconselha não adiar a quitação por riscos de ações judiciais e penhora. A recomendação é buscar orientação para renegociar com instituições, mantendo o controle financeiro.
Para especialistas, praias de desinformação ignoram efeitos práticos de manter o endividamento, como a dificuldade de obter crédito para imóveis, veículos e consumo, além de riscos de restrições adicionais no crédito disponível.
Consequências para a sociedade
Especialistas explicam que inadimplência eleva o custo do crédito no mercado, pois operadoras precificam o risco. Juros mais altos e restrições se tornam impactos macro, afetando famílias e a economia como um todo. Estímulos à inadimplência são prejudiciais à estabilidade financeira.
A educação financeira aparece como desafio central. Pesquisas apontam que mais da metade da população admite entender pouco de finanças, o que favorece escolhas prejudiciais. A falta de educação financeira amplia vulnerabilidades diante de dívidas e crédito.
O que fazer diante de mensagens virais
Profissionais ressaltam a importância de checar informações antes de agir. Planejamento financeiro, renegociação estruturada e orientação com instituições são caminhos recomendados para evitar consequências negativas da inadimplência. A comunicação responsável é crucial para reduzir riscos.
Este texto é resultado de uma parceria entre o Banco do Brasil e o Estadão Verifica, com o objetivo de desmentir desinformação no setor financeiro e fortalecer o jornalismo profissional. A iniciativa busca esclarecer impactos da desinformação sobre crédito e endividamento.
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