- A França enfrenta crise de deconsumo de vinho, com queda de cerca de 3,6% em 2024 na comparação com 2023, em nível historicamente baixo.
- Entre as faixas etárias, os Boomers ainda representam grande parte do consumo (aproximadamente 47%), enquanto Millennials reduzem e a Geração Z consome bem menos; o consumo regular caiu de 30% entre 2018 e 2023 para 27% entre 2021 e 2023, com o vinho tinto sendo o mais afetado.
- No Japão, o sakê perdeu mais de 70% do consumo desde a década de 1990, com milhares de cervejarias fechando e o sakê passando de bebida nacional a quase exotica.
- Fatores que contribuíram para a queda incluem a imagem de bebida elitista/complexa, falhas na transmissão entre gerações e a competição com cerveja e outras bebidas modernas, além de um passado de fraudes que afetaram a percepção pública.
- Há sinais de reinvenção: o sakê busca mercados internacionais e novas fórmulas, enquanto o vinho brasileiro/francês considera formatos menores e informações claras para facilitar a compreensão do sabor por jovens, sem abandonar qualidade e prestígio.
O vinho francês enfrenta uma crise de deconsumo similar ao Saké japonês, que já viveu trajetória de queda a partir dos anos 1990. A comparação aponta para fatores culturais e de mercado que pressionam as bebidas nacionais.
No Japão, o saké perdeu mais de 70% da demanda, com milhares de brasseries fechando. No cenário francês, o vinho mostra queda gradual desde as gerações anteriores, enquanto os jovens parecem mirar outras opções.Isso reflete mudanças de hábitos e de percepção de valor.
A queda japonesa começou com a década de 1980, após a bolha econômica, quando o consumo de saké atingiu o pico e depois caiu. O mercado reagiu com mudanças, foco em qualidade e reorientação de marcas. No momento, o saké busca reposicionamento.
Na França, a trajetória é parecida em ritmo, mas com base de consumo diferente. Dados de 2024 indicam queda de 3,6% em relação a 2023, em meio a uma demanda mais concentrada em gerações mais velhas. O vinho ainda mantém participação expressiva.
Entre os jovens, o entusiasmo pelo vinho cresce lentamente: 18-25 anos mostram interesse crescente, mas ainda representam parcela menor do consumo. A distribuição por tipos indica maior peso de vinhos tintos entre os brasileiros da pesquisa Sowine.
Contexto regional
A crítica aponta falhas na transmissão geracional e na comunicação do vinho. Crianças e jovens costumam exigir informações claras sobre sabores, sem linguagem excessivamente técnica. A leitura simplificada é vista como chave para reversão da curva.
Lições e perspectivas
Especialistas sugerem que o vinho pode aprender com o saké na diversificação de formatos, incluições menores de bebidas, e alinhamento com tendências de consumo consciente. A mobilidade internacional do saké destaca oportunidade para o vinho ampliar alcance.
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