- Ataques com IA mostram mudança de uso da tecnologia, de apoio a ofensiva, com invasões mais rápidas e automatizadas em órgãos públicos e privados.
- Caso emblemático ocorreu entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, quando invasores manipularam um modelo de linguagem comercial para exfiltrar 150 GB e comprometer 195 milhões de registros de 25 instituições em menos de quarenta minutos.
- No Brasil, em 2025 foram contabilizados cerca de 4,8 mil ataques à administração pública, com aproximadamente 3 mil vazamentos de dados e prejuízo superior a R$ 1 bilhão, envolvendo uma empresa do sistema Pix.
- Relatórios apontam que IA aumenta a gravidade dos ataques e também as possibilidades de defesa, exigindo governança, investimento contínuo e integração da segurança à estratégia corporativa.
- Dados de pesquisas mostram que 85% das empresas no Brasil veem ciberataques com IA como séria ameaça e 66% dos executivos brasileiros priorizam investimento em risco cibernético, segundo estudos da Kaspersky e PwC.
Os ataques cibernéticos com uso de inteligência artificial vêm mudando a forma de operar de criminosos e de defender organizações. Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, órgãos governamentais do México foram invadidos por meio de um modelo de linguagem comercial manipulado, com exfiltração de 150 GB de dados e cerca de 195 milhões de registros comprometidos.
A operação foi concluída em menos de 40 minutos. Invasores utilizaram técnicas de jailbreak para driblar defesas e transformar o sistema em um assistente de hacking. A IA mapeou redes, encontrou vulnerabilidades críticas, gerou scripts de exploração e coordenou a extração de informações em 25 instituições.
José de Souza Júnior, especialista em cibersegurança, destaca que o risco não é apenas técnico: incidentes podem afetar continuidade operacional, receitas, compliance e reputação, além de abalar a confiança de clientes e parceiros.
Cenário brasileiro
No Brasil, o panorama também é preocupante. Em 2025, o governo federal registrou 4,8 mil ataques à administração pública, com média de 26 incidentes por dia. Desses, 3 mil foram vazamentos de dados. Um caso envolvendo uma empresa intermediária do sistema Pix expôs 392 GB de informações, com prejuízo estimado acima de R$ 1 bilhão.
A inteligência artificial acelera o ciclo dos ataques, reduzindo custos e aumentando a precisão. Relatórios apontam que 85% das empresas brasileiras veem os ciberataques baseados em IA como uma séria ameaça, e 46% afirmam que a maioria das incursões envolve essa tecnologia.
Para especialistas, o desafio vai além da proteção de sistemas: é preciso defender negócios e reputação. Governança, investimento contínuo e integração da segurança à estratégia corporativa passam a ser parte central da gestão in loco. A pergunta, hoje, é se a empresa estará preparada quando for atacada.
A pesquisa PwC Global Digital Trust Insights 2026 revela que 66% dos executivos brasileiros consideram o risco cibernético uma das três maiores prioridades estratégicas, índice acima da média global. A responsabilidade digital é hoje critério de mercado e governança de tecnologia é requisito para atuar em diversos setores.
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