- Azzas 2154, grupo resultante de Arezzo&Co e Soma, enfrenta atrito entre os sócios Alexandre Birman e Roberto Jatahy, com possibilidade de cisão do negócio.
- Jatahy ingressou com ação cautelar para impedir que a marca Reserva seja retirada do núcleo comandado por ele, no Rio de Janeiro.
- A proposta era unir a operação de Reserva e Hering no sul do Brasil, após a saída de Ruy Kameyama, que era articulador da gestão entre marcas.
- A Azzas 2154 informou ter sido surpreendida pelo pedido judicial e que o assunto envolve o CEO e acordo de acionistas, sem esperar repercussões na operação; prevê impacto de R$ 80 milhões no EBITDA deste ano e R$ 116 milhões a partir do próximo ano.
- As ações da empresa caíram 3,2% e fecharam em R$ 19,40; desde agosto de 2024, a valorização acumula queda de cerca de 61,5%.
Azzas 2154 enfrenta tensão entre seus dois principais sócios, Alexandre Birman e Roberto Jatahy. A disputa envolve a marca Reserva, que pode permanecer sob o comando de Jatahy, segundo ação cautelar apresentada na Justiça. A distância entre as lideranças aumenta riscos para o grupo.
A ação foi apresentada para impedir a retirada da marca de vestuário masculino do núcleo carioca, coordenado por Jatahy. O procedimento foi divulgado inicialmente por Lauro Jardim, do O Globo. A marca Reserva está integrada ao portfólio da Azzas 2154.
A tensão decorre de decisões sobre governança após Ruy Kameyama deixar o grupo em abril. Kameyama era ponte entre Birman e Jatahy e participava da estrutura de gestão que buscava conciliar distintas culturas de negócios.
A proposta interna previa unir a operação da Reserva com a Hering no sul do Brasil, conforme informações de pessoas próximas ao negócio. A iniciativa faria parte de uma reorganização maior para alinhar marcas sob a mesma holding.
Em resposta, a Azzas 2154 informou ter ficado surpresa com o pedido judicial. O estatuto aponta que a gestão da unidade de moda masculina compete ao CEO, mas o tema também é regulado por acordo de acionistas, segundo a empresa.
A Reserva, parte do portfólio da holding, foi planejada como uma das quatro verticais após a fusão entre Arezzo&Co e Soma, concluída há cerca de dois anos. A união envolveu mudanças no conselho e na diretoria de várias marcas.
Segundo fontes, o processo pode impactar o EBITDA deste ano em cerca de R$ 80 milhões, com efeito recorrente estimado de R$ 116 milhões a partir do próximo exercício. A direção avalia impactos operacionais e legais.
O histórico entre Birman e Jatahy é antigo, com dificuldades de conciliá-los já antes da assinatura da fusão. Nos bastidores, têm sido discutidas estruturas similares a uma holding para apaziguar conflitos internos.
Em parte, a negociação envolveu a ideia de criar duas empresas separadas, com culturas distintas, mantendo resultado agregado sob a holding. Ainda não há confirmação de mudança efetiva de controle.
Nesta terça, as ações da companhia registraram queda de 3,2%, fechando em R$ 19,40. Os papéis acumulam retração de mais de 60% desde agosto de 2024, quando passaram a operar sob a marca Azza3.
Alexandre Birman, em entrevista à Folha, indicou que a fusão estava concluída, mas reconheceu o desafio de evoluir o modelo de gestão. Indagado sobre centralização, ele enfatizou o papel ativo na prática.
Contexto financeiro da Azzas 2154
- Marcas: Arezzo, Schutz, Hering, Reserva, entre outras
- Lojas: cerca de 2.000
- Receita bruta (1º tri/26): R$ 3,12 bilhões
- EBITDA recorrente (1º tri/26): R$ 358,5 milhões
- Lucro líquido recorrente (1º tri/26): R$ 64 milhões
Os desdobramentos seguem em curso, com a companhia assegurando acesso às informações da ação e adotando medidas cabíveis para manter a operação estável, segundo comunicado ao mercado.
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