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Dólar permanece abaixo de R$4,90 mesmo com tensões no Oriente Médio

Dólar fecha em torno de R$ 4,89, próximo de 4,90, com petróleo em alta e juros elevados sustentando o real diante de tensões no Oriente Médio

Analistas indicam que a inflação favorecem o real e evitam uma desvalorização mais acentuada do dólar
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  • O dólar fechou em torno de R$ 4,8954, após máxima de R$ 4,9158, mantendo-se abaixo de R$ 4,90 pela terceira sessão seguida.
  • O Brent ultrapassou US$ 107 por barril, com petróleo subindo mais de 3%, influenciando o câmbio local.
  • Analistas dizem que melhora dos termos de troca, combinada com juros elevados no Brasil, mitiga a aversão ao risco sobre o real.
  • O IPCA de abril ficou em linha com as expectativas, reforçando a cautela do Banco Central quanto ao ritmo de calibragem da política monetária.
  • O real foi o segundo melhor desempenho entre as principais moedas globais, com o dólar acumulando queda de 1,16% em maio até agora.

O dólar encerrou estável perto de R$ 4,89 nesta terça-feira (12) no mercado brasileiro, após abrir acima de R$ 4,90. A sessão terminou com alta modesta, mas sem romper a barreira de sustentar o preço acima de R$ 4,90.

A ociosidade da moeda norte-americana diante da escalada de tensões no Oriente Médio amenizou o retrabalho de fatores internos. O petróleo subiu mais de 3%, com o Brent próximo de US$ 107 o barril, o que favorece a balança comercial brasileira, segundo analistas.

A avaliação de gestores ouvidos pela Broadcast aponta que o aumento da renda de commodities e a taxa de juros elevada no Brasil ajudam a mitigar a aversão ao risco externa. O IPCA de abril confirmou expectativas, sinalizando cautela do Banco Central no ciclo de aperto.

No intraday, o dólar chegou a máxima de R$ 4,9158, mas fechou em R$ 4,8954, com ganho de 0,08%. Foi o terceiro pregão consecutivo com fechamento abaixo de R$ 4,90. O real ficou entre as melhores moedas globais, ficando atrás apenas do peso chileno.

A moeda já acumula queda de 1,16% nas sete primeiras sessões de maio, após recuo de 4,36% em abril. No ano, a desvalorização é de 10,81%. Analistas destacam o carry elevado como apoio ao câmbio neste cenário.

Segundo Ricardo Chiumento, head de Tesouraria do BS2, mesmo em momentos de estresse externo o dólar não ganha fôlego no Brasil. Ele aponta que, com as eleições próximas, o impacto do petróleo ajuda a manter o câmbio estável.

Para Chiumento, o dólar poderia estar acima de R$ 5,00, não fosse a combinação de maior demanda por commodities e inflação pressuring o BC a manter juros altos. Ele prevê chance de queda do dólar para perto de R$ 4,80 no curto prazo.

O IPCA de abril ficou em 0,67%, conforme projeções, dois dígitos de variação em linha com a mediana da Broadcast. O indicador anual avançou para 4,39%, dentro das expectativas, conforme dados divulgados.

A BuysideBrazil destacou que o BC já enfatizou estar conduzindo apenas calibração da política monetária, mantendo terreno restritivo. A economista Andrea Damico reforçou que o Brasil mantém uma das maiores taxas de juros globais.

Damico ressaltou que não haverá rápida convergência para a taxa neutra no curto prazo, o que sustenta o diferencial de juros. Ela também citou a melhoria dos termos de troca e a diversificação da matriz energética como fatores favoráveis ao real.

Do lado externo, o índice DXY, que acompanha o desempenho de uma cesta de moedas fortes, operou próximo de 98,3 pontos no fim da tarde, após máxima de 98,46 pontos. As Treasuries tiveram ganhos moderados, com o retorno de títulos de 2 anos acima de 4%.

A divulgação do CPI dos EUA mostrou alta de 0,6% em abril ante março, e 3,8% na comparação anual. O núcleo do CPI subiu 0,4% mensalmente e 2,8% na base anual, reforçando a visão de estratégia monetária mais cautelosa por parte do Federal Reserve.

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