- O fim da Taxa das Blusinhas pode pressionar os preços do algodão e reduzir a demanda interna, segundo a Abrapa.
- Hoje, cerca de um terço da produção brasileira de algodão permanece no país para ser transformada em produto final.
- A Abit é contrária à revogação, afirmando que a medida pode reduzir empregos, produção e a competitividade da indústria têxtil brasileira.
- A arrecadação do Remessa Conforme somou R$ 9,6 bilhões desde agosto de 2024; em 2025 foram R$ 5 bilhões, e até abril de 2026 já foram arrecadados R$ 1,78 bilhão.
- O vice‑presidente da República, Geraldo Alckmin, defende a continuidade da taxa; o governo discute impactos da revogação com a Fazenda, enquanto pesquisas apontam a impopularidade da medida.
O fim da chamada “Taxa das Blusinhas”, imposto aplicado a compras internacionais de pequeno valor pelo programa Remessa Conforme, pode pressionar os preços do algodão e reduzir a demanda doméstica, segundo representantes do setor. Hoje, aproximadamente um terço da produção brasileira de algodão fica no país para a transformação em produto final.
Analistas apontam que, com a queda da taxação, consumidores podem privilegiar roupas importadas online, o que colocaria pressão sobre toda a cadeia têxtil nacional. Caso a demanda interna recue, produtores devem buscar novos mercados internacionais para absorver a produção, elevando as exportações.
A avaliação é de que margens operacionais já apertadas podem levar a uma desvalorização do algodão em pluma e, por consequência, a uma possível redução da área plantada. Também há impacto considerado sobre a indústria de varejo, que depende da pluma brasileira para competitividade.
Movimento de cadeias e perspectivas econômicas
Dados da Receita Federal indicam que o Remessa Conforme arrecadou 9,6 bilhões de reais desde agosto de 2024, com 2,88 bilhões no primeiro ano; em 2025, foram captados 5 bilhões, e até abril de 2026, 1,78 bilhão. Ainda há divergência sobre o fim da taxa entre associações do setor.
A Abit sustenta que a revogação pode reduzir empregos e a competitividade da indústria têxtil nacional frente a importações, especialmente da China. A entidade ressalta que maior produção local costuma sustentar o consumo interno de algodão.
Já a Abrapa sustenta que a redução da demanda interna tende a ampliar as exportações de algodão em pluma, reduzindo a demanda por matéria-prima no mercado doméstico. A associação estima que o setor têxtil e de confecção fatura cerca de 221 bilhões de reais por ano e emprega mais de 1 milhão de pessoas.
Perguntas em aberto e próximos passos
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, defende a continuidade da taxa para proteger a indústria de baixo valor agregado. Do outro lado, governo federal avalia impactos da revogação sobre o varejo e a economia, mantendo diálogo com especialistas.
Em março, pesquisa Latam Pulse Brasil indicou desaprovação à taxa entre 62% dos brasileiros, ressaltando o desgaste político da medida. O governo afirma que o tema é complexo e envolve efeitos sobre varejo, comércio e arrecadação, com discussão em curso.
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