- A Amazon criou a ferramenta interna de IA MeshClaw para aumentar a produtividade de funcionários e incentivar o uso diário de IA entre desenvolvedores.
- A prática chamada tokenmaxxing levou trabalhadores a realizar tarefas irrelevantes apenas para inflar métricas de uso da tecnologia.
- Internamente, o uso da ferramenta passou a ser monitorado por gestores, com meta de que pelo menos oitenta por cento dos desenvolvedores usem IA semanalmente, gerando disputas entre equipes.
- Em novembro, o vice‑presidente de produto da Amazon já havia sinalizado que o uso de IA passaria a ser critério formal de promoção.
- A Meta também vive situação similar, com ranking de geração de tokens (Claudeonomics) e mais de sessenta trilhões de tokens criados; o tema envolve visões de executivos como Andrew Bosworth.
A Amazon adotou uma ferramenta interna de inteligência artificial chamada MeshClaw para aumentar a produtividade dos funcionários e incentivar o uso da IA entre desenvolvedores. O sistema funciona integrado ao ambiente de trabalho, ajudando desde organização de e-mails até disparo de processos de software e interação com plataformas como o Slack. A ideia era ampliar a eficiência, mas acabou gerando efeitos contrários.
Segundo o Financial Times, a companhia passou a exibir indicadores de uso da ferramenta em painéis de gestão e definiu que pelo menos 80% dos desenvolvedores deviam utilizá-la semanalmente. O monitoramento intenso passou a estimular equipes a elevarem artificialmente as métricas, criando uma disputa interna pelo melhor desempenho em tokens, unidade de medida de processamento em IA.
Relatos de funcionários apontam pressão para manter o ritmo de uso, com casos de uso da ferramenta mais para aumentar números do que para fins práticos. O cenário sugere incentivos que privilegiaram a contagem de uso sobre a efetiva melhoria de entrega de projetos, segundo entrevistas citadas pelo veículo.
Adoção de IA como critério de promoção
Em novembro do ano passado, o vice-presidente de produto da Amazon, Jamie Siminoff, declarou que a promoção interna passaria a considerar a integração da IA no trabalho, elevando o peso desse aspecto na avaliação de carreira. A mudança de critério pode distorcer a avaliação de desempenho, ao valorizar métricas de uso sobre resultados concretos.
O MeshClaw recebeu inspirações em ferramentas de IA que rodam no próprio computador, ampliando o alcance para implantações de código. Um memorando interno descreveu o sistema com tom técnico e demonstrou o entusiasmo da empresa com o monitoramento de processos, inclusive durante reuniões.
O caso da Amazon não é isolado. Na Meta, houve disputa interna para estabelecer quem gerava mais tokens em menos tempo, com um ranking conhecido como Claudeonomics. Em abril, mais de 60 trilhões de tokens foram gerados para compor a competição entre equipes.
A estratégia de maximizar a geração de tokens reflete uma tendência do setor em incentivar a profissionalização no uso da IA. Executivos de grandes empresas, como o CTO Andrew Bosworth, defenderam que engenheiros seniores devem investir recursos na produção de tokens de IA, alinhando-se a metas corporativas.
A adoção de IA no ambiente corporativo também é discutida em textos de liderança de empresas relevantes no setor, com reforço de que a gestão de métricas pode influenciar decisões de carreira e prioridades de equipes.
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