- Rio Grande do Sul criou um fundo estratégico bilionário para financiar setores prioritários, com cerca de R$ 5 bilhões em recursos públicos mobilizados pela Invest.RS.
- A ideia é usar capital público como âncora para atrair até R$ 20 bilhões de dinheiro privado, em áreas como semicondutores, economia digital, energia renovável, biocombustíveis, maquinário agrícola, turismo e saúde.
- O fundo funcionaria como um “container” de recursos públicos, combinando instrumentos financeiros (fundos, private equity, crédito subsidiado) com capital privado, em modelo de blended finance.
- A reforma tributária sinaliza fim gradual dos incentivos fiscais; o governo pretende migrar para instrumentos de fomento que reduzem riscos e aceleram investimentos estratégicos.
- O projeto está em fase inicial, com lançamento previsto ainda neste ano, fontes de recursos em estudo (Tesouro, fundos existentes, BRDE, Badesul) e avaliação de receptividade de investidores em Nova York.
O governo do Rio Grande do Sul lançou um fundo estratégico bilionário para financiar setores considerados prioritários para o estado. A iniciativa busca substituir parcialmente a guerra fiscal pela atração de capital estratégico, diante da reforma tributária em curso.
A ideia é que a Invest.RS, agência de fomento criada recentemente, gerencie o fundo. A administração estima mobilizar cerca de R$ 5 bilhões em recursos públicos para estimular investimentos em áreas estratégicas. O objetivo é criar condições para atrair capital privado de até R$ 20 bilhões.
Segundo o governo, o diferencial não será mais a redução de impostos, e sim instrumentos financeiros atraentes e acessíveis às empresas. O projeto está sendo estruturado em parceria com a Deloitte e ainda não tem governança definida nem decreto de criação.
Estrutura e objetivos
A estratégia envolve transformar o fundo em um “container” de recursos públicos, reunindo fontes diversas para atuar com investidores privados. O uso de blended finance visa multiplicar até cinco vezes o capital aplicado pelo estado.
Entre os setores prioritários estão semicondutores, economia digital, energia renovável, biocombustíveis, maquinário agrícola, turismo e saúde. A meta é dobrar o PIB gaúcho até 2030 e elevar a produtividade em 20%.
A gestão pretende usar instrumentos como fundos garantidores, FIDCs, private equity, venture capital e crédito subsidiado. O governo avalia que a nova lógica exige migrar de renúnias fiscais para mecanismos de fomento mais robustos.
Cronograma e próximos passos
A proposta ainda depende de definição de governança e fontes de recursos. O governo cita Tesouro estadual, fundos existentes e bancos de fomento como possíveis alavancas, incluindo BRDE e Badesul.
O lançamento formal pode ocorrer ainda neste ano, com a expectativa de que o fundo permaneça como legado da atual gestão. Investidores já sinalizaram receptividade em conversas realizadas em Nova York.
O governador Eduardo Leite aponta o tema como essencial para a competitividade do estado. A continuidade do projeto depende do engajamento da sociedade civil e do andamento político nos próximos meses.
Entre na conversa da comunidade