- O Grupo Toky, dono das redes Tok&Stok e Mobly, protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, com causa estimada em R$ 1,116 bilhão.
- A petição solicita desbloqueio de R$ 77 milhões em recebíveis de cartão de crédito, bloqueados pela SRM Bank por meio de registros em Nuclea (CIP) e CERC, atingindo adquirentes como Cielo, GetNet, Mercado Pago, Adyen e Pagar.me.
- A empresa afirma não ter assinado garantia sobre esses recebíveis e aponta que o débito vencido é de cerca de R$ 1,3 milhão, frente aos R$ 77 milhões retidos.
- O grupo também pede proteção contra vencimento antecipado de contratos e mantém o equilíbrio de fornecedores-chave: Vamos, Google, Amazon, VTEX, Totvs, Sênior, Adyen e concessionárias como Sabesp e Enel.
- Segundo o documento, aguardam-se deferimento do pedido, nomeação de administrador judicial, apresentação de credores e, em até sessenta dias, um plano de pagamento; há ainda expectativa de stay period de até cento e oitenta dias para suspender cobranças.
O Grupo Toky, dona das redes Tok&Stok e Mobly, protocolou nesta terça-feira (12) um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. O processo, que aponta dívidas de pouco mais de R$ 1,1 bilhão, solicita medidas urgentes para destravar recursos e proteger contratos, com foco na continuidade das operações.
O pedido envolve o bloqueio de R$ 77 milhões em recebíveis de cartão de crédito, montante considerado essencial para o caixa diário das lojas, segundo o grupo. A SRM Bank, que atua como instituição de pagamento, é apontada como responsável pela retenção por meio de registros de garantia em empresas do setor de recebíveis, a Nuclea (CIP) e a CERC.
A ação envolve as adquirentes que processam pagamentos com cartão, como Cielo, GetNet, Mercado Pago, Adyen e Pagar.me. A Toky afirma não ter assinado contratos que garantam esses recebíveis à SRM, e sustenta que o valor retido está desproporcional frente ao débito vencido, estimado em cerca de R$ 1,3 milhão.
Pedido de liberação de recebíveis
Especialistas em reestruturação veem o embate como crucial para a continuidade operacional, já que a liberação dos recebíveis pode evitar descontinuidade de caixa. A defesa também busca evitar o vencimento antecipado de contratos, que poderia agravar a crise já na fase inicial do processo.
Entre os fornecedores considerados vitais pelo grupo estão a Vamos (locação de caminhões), Google, Amazon e Oracle (suporte a sistemas e dados), VTEX (plataforma de e-commerce) e Totvs/Sênior (gestão de estoque). Também integram a lista as concessionárias de água e energia, como Sabesp e Enel.
O documento detalha que a interrupção desses serviços pode inviabilizar a recuperação, impactando empregos, atendimento a clientes e a operação das lojas. O pedido também prevê a antecipação de efeitos do stay period, que suspenderia ações de cobrança por até 180 dias.
Segundo especialistas consultados, a execução do pedido depende da aprovação judicial, nomeação de administrador judicial, apresentação de plano de pagamento pelos credores e eventual votação em assembleia. A supervisão judicial costuma durar cerca de dois anos.
A estrutura societária do grupo, com 40,197% das ações em bolsa e o restante pulverizado entre novos acionistas, é citada como parte do contexto que levou ao pedido. A Toky não teve resposta imediata aos pedidos de comentário.
Mustrangi, consultor em reestruturação, aponta falhas de gestão como parte do problema, destacando disputas internas que comprometeram a geração de caixa. O especialista ressalta ainda riscos de desvalorização da marca caso haja mudança de controle durante o processo.
Entre na conversa da comunidade