- O fechamento parcial do Estreito de Ormuz elevou os preços de fertilizantes e colocou em risco o abastecimento global até 2027, já que o corredor concentra cerca de quarenta por cento do fluxo mundial de fertilizantes nitrogenados.
- A Rússia também suspendeu exportações de enxofre até o fim de junho de 2026, agravando a oferta de fósfatados e pressionando os custos de produção.
- Analistas do Rabobank e do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares indicam um mercado apertado, com margens do campo sob pressão e risco de desabastecimento se o conflito se alongar; a reabertura do canal não traria alívio imediato.
- No Brasil, projeta-se queda de entregas de fertilizantes ao consumidor final em 2026 para cerca de 47,2 milhões de toneladas; a ureia registrou alta de cerca de 63% nos preços CFR desde o início do conflito, com importações potencialmente caindo 27,3%.
- A indústria alerta sobre fragilidade do sistema e impactos persistentes, enquanto o governo cria uma sala de crise para reduzir a dependência externa e buscar soluções como biofertilizantes.
A crise no Estreito de Ormuz manteve as tensões no Oriente Médio e elevou os preços de fertilizantes, piorando a perspectiva do agronegócio global para 2026. O bloqueio parcial do canal, que concentra grande parte do tráfego de insumos, aumenta o custo de produção e eleva o risco de desabastecimento em várias regiões.
O estreito recebe cerca de 30% da ureia mundial e quase metade do enxofre utilizado na produção de fertilizantes fosfatados. Com a Rússia fora do mercado de enxofre até o fim de junho de 2026, a oferta global de um insumo essencial fica pressionada, ampliando a incerteza para produtores e indústrias.
Especialistas indicam que a combinação de oferta restrita e demanda aquecida deve manter o mercado apertado até 2027. Analistas do Rabobank destacam que não haverá retorno rápido aos preços anteriores ao conflito, mantendo margens pressionadas no curto e médio prazo.
Pesquisadores do IFPRI ressaltam que o agravamento do conflito no Irã e o fechamento do corredor estratégico afetam diretamente a rentabilidade de produtores, criando um cenário de sobrevivência para margens rurais neste ano. A reabertura do canal não tende a trazer alívio imediato, segundo o instituto.
A indústria de fertilizantes aponta fragilidade do sistema. Alzbeta Klein, da International Fertilizer Association, afirma que estoques ajudam no curto prazo, mas não substituem importações contínuas. Rotas alternativas oferecem alguma flexibilidade, mas não compensam interrupções longas.
A IFA aponta alta de 28,2% no preço da ureia no Golfo já causada pelo bloqueio. Países de baixa renda na África e no Sul da Ásia devem sentir impacto maior, com transmissão de custos para inflação de alimentos, segundo o setor.
Entre grandes compradores, a Índia lançou licitação para 2,5 milhões de toneladas de ureia, prevendo importações de até 10 milhões de toneladas no ano. A China opera plantas de fosfato com margens negativas e baixa taxa de utilização, enquanto o grupo OCP reduziu produção em 30%.
O efeito sobre o custo de produção dependerá da duração do conflito. Nos EUA, 70% dos produtores relatam impossibilidade de comprar integralmente insumos nesta safra, aumentando a incerteza sobre os volumes plantados.
A escassez de enxofre e os preços recordes de ácido sulfúrico elevam o risco de desabastecimento de fosfatados. O resultado deve manter margens apertadas do setor até 2027, segundo especialistas.
No Brasil, maior importador mundial de fertilizantes, os impactos já chegam desde o início do conflito. Prices da ureia, SAM e NAM sobem substancialmente, com variações de 30% a 63% desde fevereiro, segundo a StoneX.
Analistas avaliam que a demanda global mais fraca reduz o ritmo de alta, mas preços ainda operam acima dos níveis pré-conflito. O recuo pontual em maio não elimina a cautela dos compradores, conforme estudo de mercado.
Projeções locais apontam queda nas entregas de fertilizantes ao consumidor final brasileiro em 2026, para aproximadamente 47,2 milhões de toneladas, ante 49 milhões em 2025. O recuo amplia a pressão sobre o custo de produção nas lavouras.
A participação dos fertilizantes no custo total de produção deve subir no próximo ciclo, estimam a XP Investimentos. O peso dos insumos subiria de 30% para cerca de 35%, aumentando a sensibilidade do PIB agro ao câmbio de preços.
O Rabobank alerta para a possibilidade de El Niño no último quadrimestre de 2026, o que pode agravar o choque de custos e afetar a oferta agrícola de forma generalizada. A situação demanda planejamento estratégico dos produtores.
O governo federal criou uma sala de crise para reduzir a dependência externa e incentivar tecnologias como biofertilizantes. A iniciativa busca aumentar a resiliência do setor diante de choques de oferta e custos.
A expectativa é de que o efeito completo do conflito sobre preços e produção dependa da duração da guerra. As autoridades acompanham o ritmo de plantio e o nível de adubação para a temporada 2026/27.
Entre na conversa da comunidade