- O Ibovespa caiu 0,86% na sessão, aos 180.342 pontos, com quedas de 2% na semana e 3,72% no mês; ganho acumulado no ano recuou para 11,9%.
- Nos EUA, inflação acentuou-se, com o núcleo de preços acima do esperado, sugerindo que o choque de petróleo pode sustentar pressões inflacionárias.
- A leitura aponta para juros mais altos por mais tempo, elevando a probabilidade de novas altas da taxa básica pelo Federal Reserve ainda neste ano.
- O dólar à vista fechou em R$ 4,89, mantendo-se estável diante de pressões de petróleo e rendimentos dos Treasuries.
- O mercado brasileiro já precifica impactos maiores: câmbio e juros mais elevados pressionam as ações, enquanto o custo da guerra influencia preços de combustíveis, frete e insumos.
O Ibovespa caiu 0,86% nesta terça-feira, fechando aos 180.342 pontos. O recuo eleva as perdas na semana para 2% e no mês, chega a 3,72%. O desempenho leva o índice a menor nível desde 20 de março, em meio a expectativas de inflação elevada no curto prazo.
No cenário internacional, dados dos EUA mostraram que o núcleo da inflação superou a previsão de economistas, com o CPI abril ainda pressionando o mercado. A gasolina avançou 28,4% no ano e as passagens aéreas subiram 20,7%, contribuindo para a percepção de que o choque de preços pode persistir.
A pressão inflacionária global reacende a especulação sobre novas altas de juros nos Estados Unidos, com o Fed podendo manter ou elevar o tom restritivo ainda neste ano. A percepção de juros mais altos tende a sustentar o movimento de aversão ao risco no mercado brasileiro.
Dólar à vista ficou estável, fechando em 4,89 reais. No mês, a moeda recuou 1,14% frente ao real e, no ano, já acumula queda de 10,8% no câmbio brasileiro. A mudança de ambiente externo impacta fluxos de capitais e o desempenho de títulos locais.
Mercado interno e impactos setoriais
O giro financeiro do Ibovespa ficou em 22 bilhões de reais, 22% acima da média dos últimos 12 meses. Avançaram 58 das 79 ações que compõem o índice, destacando o peso das incertezas sobre cenários de política monetária.
Enquanto isso, o frete e os alimentos seguem influenciados por combustíveis mais caros. Em abril, o núcleo de energia ficou relativamente contido, graças a políticas do governo que evitaram repasse total aos preços domésticos. O canal de transmissão permanece aberto, porém.
A Petrobras divulgou balanço que aponta defasagem entre produção e preços de Brent. O preço médio do Brent no primeiro trimestre foi de US$ 80,61 o barril; a elevação acima de US$ 100 tende a aparecer nos resultados do segundo trimestre e, possivelmente, nos preços ao consumidor.
Na Bolsa, 58 das 79 ações desvalorizaram hoje, sinalizando amplas perdas entre ativos. O enfoque ficou na possível continuidade de alta nos combustíveis e no custo de insumos produtivos para alimentos, como fertilizantes derivados de petróleo.
Perspectivas de inflação e juros
O Focus indicou alta pela nona semana seguida, com a projeção do IPCA para 2026 chegando a 4,91%, acima do teto da meta de 4,5%. O mercado precifica uma segunda onda de aperto monetário, alimentando dúvidas sobre a duração do ciclo de afrouxamento.
Dados de juros futuros mostraram leve ajuste: DI para janeiro de 2027 passou de 14,11% para 14,13% ao ano; para janeiro de 2029, 13,69% subiu para 13,76%; para janeiro de 2036, 13,84% foi a 13,87%. Prazos longos refletem preocupação com calote público.
A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, questionou se os choques recentes são independentes ou se já reforçam uma mentalidade inflacionária entre consumidores e empresas. A resposta, ao que parece, já começa a aparecer nos mercados globais.
Entre na conversa da comunidade