- Powell se despede do Federal Reserve após oito anos, com o legado visto mais como político do que econômico.
- Especialistas apontam falha na luta contra a inflação, especialmente pela leitura de que a inflação pós-pandemia seria transitória.
- A defesa da independência operacional do Fed tende a ficar como parte do legado, mesmo com pressões políticas ao longo do mandato.
- Durante a pandemia, o Tesouro informou estímulo recorde e o Fed ampliou o balanço de US$ 4 trilhões para US$ 9 trilhões, além de manter juros próximos de zero.
- Também há críticas sobre falhas de supervisão bancária, que contribuíram para as quebras de bancos como Silicon Valley Bank, Signature Bank e First Republic.
O chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, encerra hoje 15 de maio um ciclo de oito anos à frente do banco central dos EUA, com a expectativa de que seu legado seja marcado mais pela defesa da autonomia da instituição do que por conquistas explícitas no controle da inflação. Especialistas apontam falhas na gestão da inflação pós-pandemia, mas destacam que a defesa da independência pode perdurar como parte central de sua imagem.
Para analistas, a percepção de falha veio de tratar grande parte da inflação de 2021 como transitória, o que levou a um atraso na resposta de política monetária. Mesmo assim, ressaltam que Powell manteve a credibilidade institucional diante de ataques à autonomia monetária, principalmente sob pressão política externa ao longo do mandato.
O período de crise propiciou mudanças relevantes: o Tesouro lançou pacote fiscal recorde próximo de 25% do PIB, e o Fed elevou o balanço de cerca de US$ 4 trilhões em 2019 para quase US$ 9 trilhões no começo de 2022, além de reduzir juros a quase zero. A combinação de medidas ajudou a conter a recessão, cuja duração ficou entre as mais curtas já registradas.
Legado institucional
Especialistas divergem sobre o papel técnico de Powell no ciclo inflacionário mais alto nas décadas recentes. Houve críticas à comunicação do Fed, que, segundo analistas, gerou volatilidade de mercados com mensagens ambíguas em conferências de imprensa.
Analistas também destacam falhas na supervisão bancária, citando episódios como as quebras do Silicon Valley Bank, Signature Bank e First Republic. Posteriormente, autoridades reconheceram demora em agir para mitigar vulnerabilidades de risco de juros e liquidez.
Powell permanecerá no conselho do Fed até o fim de seu mandato, em janeiro de 2028, mantendo influência na condução da política monetária com base em dados econômicos. Para alguns, essa continuidade fortalece a confiança institucional; para outros, representa risco de polarização interna.
Contexto e avaliação futura
Segundo Mohamed El-Erian, a narrativa provável é de resiliência política de Powell, não apenas de falhas técnicas. Já Hung Tran ressalta que o embate entre pressões políticas e o duplo mandato do Fed moldou um padrão para futuros dirigentes.
O grupo de especialistas concorda que a gestão do Fed sob Powell destacou a importância da independência para decisões de política monetária. A avaliação sobre o legado tende a depender de como futuros resultados de inflação e emprego se consolidarem no longo prazo.
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