- Em abril, o IPCA subiu 0,67%, abaixo de março, mas foi o maior para o mês desde 2022.
- O acumulado em doze meses ficou em 4,4%, próximo do teto do regime de metas de 4,5%.
- A gasolina subiu 1,9% em abril, sendo a maior surpresa baixista da inflação no mês.
- Alimentação no domicílio avançou 1,7% em abril, respondendo por mais de 40% do aumento; saúde e cuidados pessoais subiram 1,16%.
- As projeções para maio indicam inflação em torno de 0,4% e pressões persistentes em alimentação, saúde e combustíveis.
A inflação de abril, medida pelo IPCA, ficou em alta de 0,67% ante março e avançou no acumulado de 12 meses, chegando a 4,4%. O resultado ficou próximo do teto de tolerância do sistema de metas, que é 4,5% para um centro de 3%. A leitura aponta recuo em relação a março, quando a variação foi de 0,88%.
No acumulado anual, o IPCA também mostra esse movimento de alta mais suave em abril frente a março. Diferentemente, a gasolina manteve peso expressivo no índice, contribuindo para o nível geral de preços. Economistas veem sinais de desaceleração de curto prazo, ainda que o ritmo de alta anual permaneça próximo do teto.
Gasolina e efeitos setoriais
A gasolina elevou o IPCA de abril, com alta de 1,9% no mês, a maior contribuição entre os itens. Mesmo assim, o aumento foi menor do que em março, quando houve alta de 4,6%. A demanda por combustível deverá manter ritmo mais moderado em maio, segundo analistas consultados, com projeção de inflação mensal em torno de 0,4%.
Segundo Fábio Romão, economista da 4intelligence, a queda parcial da alta da gasolina reflete variações no cenário externo e pressões de oferta. Ele cita negociações entre Estados Unidos e Irã, além da entrada da safra de etanol no mix de combustíveis e subsídios ao diesel como fatores explicativos.
Grupos sensíveis e projeções
Alimentação e saúde foram os dois grupos que mais pressionaram a inflação de abril, respondendo por cerca de 75% da alta mensal. A alimentação no domicílio subiu 1,7%, contribuindo com mais de 40% do aumento do IPCA no mês. Com isso, analistas esperam deflações ou ganhos mais modestos no segundo e terceiro trimestres, mas revisam as projeções para o fim de 2026.
O grupo saúde e cuidados pessoais registrou alta de 1,16% em abril, elevando o acumulado em 12 meses para perto de 6%. Esse segmento representou quase um quarto da inflação de abril. Desde a pandemia, os preços desse setor cresceram consideravelmente, influenciando o comportamento geral do índice.
Entre os nove grupos do IPCA, as projeções para 2026 indicam que cinco manterão alta acima da variação do índice: Alimentação, Habitação, Despesas Pessoais e Educação devem ficar acima da inflação. Transportes, com foco em combustíveis, deve apresentar avanço menor que o IPCA.
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