- Nos reajustes de energia analisados, a CVA (sobrecusto da parcela A) teve impacto médio de 3,5%, maior que a CDE, que ficou em 3,1%.
- O sobrecusto vem de um custo real de compra de energia superior ao previsto, impulsionado por maior antecipação de despacho termelétrico e pelo aumento do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças).
- Modelos mais conservadores, com α = 15% e λ = 40%, elevam o custo de energia e espalham esse valor por várias rubricas da tarifa.
- O aumento do PLD eleva custos em repactuação de risco hidrológico, energia de Itaipu, contratos por disponibilidade e energia de reserva, refletindo na composição tarifária.
- Estudos indicam que a prática pode ter custo direto de até 0,98% a mais na tarifa, com possível benefício de segurança incerta; o gráfico aponta que a segurança excessiva tem efeito tarifário relevante, além dos subsídios.
O custo da energia vem crescendo não apenas pela CDE, a Conta de Desenvolvimento Energético, mas principalmente pelo sobrecusto embutido na tarifa, medido pela CVA. Em reajustes anunciados até abril, a CDE teve média de 3,1%, influenciada por subsídios.
Já o sobrecusto da energia, pela CVA, atingiu média de 3,5%. Ou seja, o custo efetivo da energia acima do previsto pesa mais na conta do consumidor do que a própria CDE.
Essa diferença decorre de um custo de compra de energia superior ao estimado nos processos tarifários, com o PLD sendo um fator central. Quando relação α=15% e λ=40% ele antecipa despacho termelétrico, aumenta o CMO e pressiona o PLD.
Impacto do PLD e da calibragem de risco
O alto PLD se reflete em várias rubricas da tarifa: repactuação do risco hidrológico (GSF), energia de Itaipu, contratos por disponibilidade e energia de reserva. O efeito não aparece em uma única linha, mas se espalha por diversas parcelas da energia comprada.
Estudos de calibração indicam que, no cenário crítico, a diferença tarifária entre os pares (15,40) e (15,30) chega a quase 1 ponto percentual a favor do (15,30). A Volt Robotics, a pedido da Abraceel, aponta aderência de 98,8% à CRef, economia de R$ 5,4 bilhões em geração térmica e redução de 0,98% na tarifa frente ao par vigente.
A realidade recente, porém, sinaliza um sobrecusto médio de 3,5% pela CVA nos reajustes analisados. O custo real da energia ficou acima do previsto, pois o PLD veio mais alto do que o estimado na primeira ordem de cálculo tarifário.
Essa diferença decorre de instabilidade de modelos, mudanças metodológicas e uma calibração mais conservadora da aversão ao risco. Despachar térmicas precocemente eleva o PLD, espalha custos e, ao final, recai sobre o consumidor.
Conclusões operacionais
Portanto, não é apenas a discussão sobre subsídios que explica a pressão tarifária. A forma de precificar a segurança do sistema elétrico e a escolha de modelos mais conservadores influenciam diversas rubricas da tarifa. O conservadorismo dos modelos, quando aplicado, pode aumentar custos sem retorno claro em segurança adicional.
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