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Pesquisa aponta que apenas 42% dos brasileiros iriam ao escritório por escolha

Pesquisa aponta que apenas 42% iriam ao escritório por vontade própria; deslocamento e bem-estar redefinem o ambiente de trabalho

Evento WeWork em São Paulo. Foto: Divulgação/WeWork
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  • Apenas 42% dos brasileiros optariam pelo presencial por vontade própria; hoje 63% trabalham no modelo presencial, maioria por imposição do empregador.
  • O principal entrave ao retorno voluntário é o tempo de deslocamento (65%), seguido pelo aumento de gastos pessoais (53%).
  • O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é visto como fundamental por 93% dos profissionais; 64% aceitariam mudar de emprego por melhor qualidade de vida, mesmo com salário menor.
  • Queixas sobre o ambiente de trabalho: áreas barulhentas (57%) e falta de espaços de descanso (53%); espaços maiores elevam a satisfação para 96%.
  • Quarenta e três por cento dos trabalhadores já usam IA por conta própria; apenas 19% das empresas têm esforço estruturado para incentivar o uso da tecnologia.

O trabalho presencial voltou, mas não por convencimento. Um estudo realizado pela WeWork com a Offerwise aponta que apenas 42% dos brasileiros optariam pelo presencial se tivessem escolha. A pesquisa envolveu 2.500 profissionais em todo o país e foi apresentada em São Paulo.

O levantamento mostra que 63% ainda atuam no modelo presencial. No entanto, 79% deles respondem que a presença é uma regra imposta pelo empregador. Quando a escolha é livre, 42% prefeririam o presencial, enquanto o restante ficaria entre híbrido e remoto.

A apresentação ocorreu durante uma Mesa de Líderes em São Paulo, com o presidente da WeWork para a América Latina, Claudio Hidalgo. A empresa atua em mais de 39 países, com mais de 600 edifícios e cerca de 124 mil pessoas que entram diariamente.

O custo silencioso do deslocamento

Entre os obstáculos citados, o tempo de deslocamento é apontado por 65% dos entrevistados como principal entrave. Em seguida, 53% mencionam o aumento de gastos pessoais.

Beatriz Kawakami, head de Vendas da WeWork no Brasil, destaca que o custo envolve mais que gasolina: é reorganizar a rotina familiar, como deixar os filhos na escola. Esse conjunto de renúncias invisíveis ajuda a explicar o custo do presencial.

Para Hidalgo, o retorno voluntário ao escritório não compete apenas com outras empresas, mas com o conforto do lar. Ele afirma que, se o colaborador chega ao espaço físico e passa oito horas em videoconferências, pergunta-se o que ganhou com isso.

Bem-estar acima do salário

O equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é visto como fundamental por 93% dos entrevistados. Além disso, 64% aceitariam mudar de emprego para ter melhor qualidade de vida, mesmo com salário menor.

Plano de saúde, salário competitivo e remuneração compatível com a formação aparecem como itens básicos, mas não suficientes para retenção. A experiência cotidiana passou a pesar mais na decisão de ficar ou sair da empresa.

Raissa Mendes, diretora de RH da WeWork no Brasil, ressalta que o estudo reforça percepções já observadas no cotidiano corporativo. A autonomia sobre o tempo é tema central da atual relação de trabalho.

O relatório aponta a “lógica da expulsão”: retirar flexibilidade pode levar à saída de talentos. Ansiedade e desmotivação crescem quando a empresa retira a autonomia, e há preocupação com a estagnação profissional.

A revolução da IA que vem de baixo

Quarenta e três por cento dos profissionais já utilizam IA por conta própria, principalmente para pesquisas rápidas e tarefas técnicas. Curiosamente, apenas 19% das empresas possuem iniciativas estruturadas para incentivar o uso da tecnologia.

A IA avança de baixo para cima, impulsionada pelos próprios funcionários. Hidalgo aponta que há grande espaço para as empresas aproveitarem esse movimento. Segundo o estudo, o uso da IA pode ampliar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

O perfil de quem está moldando o mercado

A pesquisa ouviu profissionais de várias gerações, com predomínio de Millennials (37%) e Geração Z (32%), que valorizam propósito e flexibilidade. Geração X representa 26%, mantendo a base de experiência nas organizações.

A conclusão é direta: em 2026, o sucesso de uma organização depende mais de como as pessoas se sentem ao produzir do que de onde trabalham. Empresas que obrigam o retorno não vencem; as que tornam o retorno valioso entregam resultados.

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