- A Polícia Federal deflagrou a operação Off-Balance para investigar gestão temerária no instituto de previdência dos servidores de Cajamar, após cerca de R$ 107 milhões investidos em títulos de bancos privados.
- A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão em Cajamar, Boituva e na capital paulista, com afastamentos de cargos públicos e indisponibilidade de bens dos investigados.
- O foco é a aplicação de recursos do RPPS em quatro letras financeiras emitidas por dois bancos, sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, aumentando o risco de eventuais prejuízos.
- Parte dos recursos teriam ido ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025; Cajamar investiu R$ 87 milhões em letras da instituição entre outubro de 2023 e março de 2024.
- A PF também investiga outros regimes próprios de previdência de municípios paulistas que aplicaram recursos no Master; dados do Ministério da Previdência indicam investimentos de pelo menos R$ 1,8 bilhão nesses papéis sem FGC entre 2023 e 2024.
A Polícia Federal deflagrou a operação Off-Balance para apurar possível gestão temerária no instituto de previdência dos servidores municipais de Cajamar, na Grande São Paulo. Investigações apontam aplicações de cerca de R$ 107 milhões em títulos emitidos por bancos privados.
A ação cumpre seis mandados de busca e apreensão em Cajamar, Boituva e na capital paulista. A Justiça Federal também determinou afastamentos de cargos públicos e indisponibilidade de bens dos investigados; não foram divulgados os nomes dos suspeitos. As medidas foram autorizadas pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
Segundo a PF, as apurações visam recursos do RPPS, o Regime Próprio de Previdência Social dos servidores municipais, para verificar se houve exposição indevida do patrimônio a operações incompatíveis com o perfil de segurança de fundos públicos de aposentadoria. O foco envolve quatro letras financeiras emitidas por dois bancos privados, cuja emissão não conta com cobertura do FGC, o que aumenta o risco em caso de quebra.
Contexto de investimentos em letras financeiras
Parte relevante dos recursos teria sido direcionada ao banco vinculado ao empresário Daniel Vorcaro, que hoje está custodiado pela justiça. O instituto de Cajamar aplicou R$ 87 milhões em letras financeiras da instituição entre outubro de 2023 e março de 2024. O banco passou a ser alvo de investigações que questionam sua solidez financeira.
O caso de Cajamar não é isolado. Nas últimas semanas, a PF abriu investigações semelhantes envolvendo regimes próprios de previdência de municípios paulistas que aplicaram recursos em letras financeiras do Master. Em abril, a Operação Moral Hazard apurou investimentos de cerca de R$ 13 milhões feitos pelo instituto de Santo Antônio de Posse em papéis ligados ao banco de Vorcaro.
Dados do Ministério da Previdência indicam que institutos de aposentadoria de estados e municípios aplicaram, entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, ao menos R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do Master sem garantia do FGC. Entre os principais investidores estão Rioprevidência, com quase R$ 970 milhões, Amprev (Amapá), com R$ 400 milhões, e Iprev de Maceió, com R$ 97 milhões. Em São Paulo, o instituto de São Roque investiu R$ 93 milhões. Em todos os casos, as instituições afirmaram considerar, à época, que o Master estava autorizado a operar e tinha classificação de risco adequada.
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