- A União Europeia suspende a partir de setembro a importação de carnes, ovos e mel do Brasil por uso de antibióticos na pecuária, o que pode gerar prejuízo anual de US$ 1,8 bilhão aos exportadores brasileiros.
- A UE representa apenas 0,5% do total exportado pelo Brasil no ano e 3,6% das vendas para o bloco; a carne bovina é o principal item afetado entre as propriedades, com a UE como terceiro destino.
- Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,048 bilhão em carne bovina para a UE, de 128 mil toneladas; a União Europeia também foi destino de frango, que totalizou US$ 302 milhões.
- Ovos e mel também estão sob restrição: a UE foi o 10º destino das exportações de ovos em 2025 (301 toneladas, US$ 1,3 milhão); o mel natural vendido para o bloco somou US$ 6,1 milhões.
- O Ministério da Agricultura informou que tomará medidas para reverter a decisão e reestabelecer a lista de países autorizados; a Comissão Europeia aguarda resposta brasileira.
A União Europeia decidiu suspender a importação de carnes, ovos e mel do Brasil, o que pode gerar um prejuízo anual de até US$ 1,8 bilhão para exportadores brasileiros. A medida afeta bovinos, equinos, aves, ovos, mel e envoltórios a partir de setembro, segundo a porta-voz Eva Hrncirova, da Saúde da UE. A notícia corta o fluxo de produtos para os 27 países do bloco, ampliando o desafio para o setor agropecuário brasileiro.
O Brasil é atingido de forma significativa pela redução de vendas de carne bovina fresca, que respondia por grande parte das perdas. Em 2025, o país exportou US$ 1,048 bilhão em carne bovina para a UE, equivalente a 128 mil toneladas. A UE aparece como terceiro maior destino, atrás de EUA e China.
Além da carne bovina, o embargo europeu também envolve frango, ovos e mel. A ABPA aponta que a UE foi o oitavo destino para o frango brasileiro em 2025, com 233.137 toneladas (US$ 302 milhões). Ovos tiveram 301 toneladas (US$ 1,3 milhão) e o mel, US$ 6,1 milhões.
Contexto de mercado e proporções
Ao todo, a participação dos produtos restritos pela UE representa 0,5% das exportações brasileiras globais no ano anterior (US$ 348,3 bilhões). Considerando apenas o comércio com a UE, os itens restritos corresponderam a 3,6% das exportações brasileiras para o bloco (US$ 49,8 bilhões).
Detalhes da suspensão e próximos passos
A norma europeia aponta falhas do Brasil no cumprimento de regras contra o uso de antibióticos na pecuária, o que motivou a proibição de exportar carnes para o bloco. O Brasil precisa apresentar comprovação de fim do uso de antimicrobianos na criação de animais para reentrada na lista de países autorizados. A Comissão Europeia aguarda atualização em breve.
Reações e perspectivas
Assumindo o histórico de exportação, o Ministério da Agricultura afirmou que adotará as medidas necessárias para reverter a decisão e restabelecer o fluxo de produtos para a Europa, mercado que o Brasil atende há quatro décadas. A suspensão também acontece em um contexto de negociações sobre acordos comerciais entre o Mercosul e a UE.
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