- Em março, as exportações brasileiras para o Oriente Médio caíram 26% (de US$ 1,2 bilhão para US$ 882 milhões), região importante para frango, açúcar, petróleo e insumos de fertilizantes.
- O Oriente Médio absorve 30% das exportações brasileiras de frango, com queda de 18,5% nos volumes embarcados em março ante fevereiro.
- O Brasil depende de fertilizantes importados (cerca de 85% do uso); a região responde por cerca de 40% do comércio mundial de ureia, com alta de preços próxima a 70%.
- O estreito de Ormuz, container de petróleo, elevou a cotação do Brent para perto de US$ 100 o barril, elevando custos de frete e diesel e impactando a cadeia logística.
- O agro brasileiro fechou 2025 com US$ 169,2 bilhões em exportações, mas o cenário de tensões geopolíticas adiciona incertezas; OCDE revisou para baixo o crescimento global, e o Brasil acompanhou inflação e juros ainda elevados.
O conflito no Oriente Médio está criando dificuldades para o agronegócio brasileiro. Em março, as exportações do Brasil para a região caíram 26%, frente a março de 2025, ampliando impactos sobre frango, açúcar, petróleo e insumos para fertilizantes importados.
Segundo dados do MDIC, o valor enviado aos 15 países da região caiu de US$ 1,2 bilhão para US$ 882 milhões no período. O cenário é considerado volátil e pode piorar se as tensões persistirem. O agronegócio já sofre com a alta de custos logísticos e de energia.
Contexto econômico internacional
A desaceleração mundial acompanha o impacto regional. A OCDE prevê queda do PIB global em torno de 2,9% neste ano, com revisão para baixo de 2027. O aumento da inflação mundial pressiona políticas monetárias e freia investimentos em diversas economias, inclusive no Brasil.
Impactos no agro brasileiro
O Oriente Médio absorve 30% das exportações de frango brasileira, setor líder mundial. Em março, houve queda de 18,5% nos embarques de carne de frango em relação a fevereiro, mesmo buscando manter o fluxo de containers diários. Milho e açúcar também apresentam sensibilidade às interrupções logísticas e à volatilidade de fretes.
A depender das condições geopolíticas, o preço do petróleo afeta diretamente o custo do diesel e dos fretes marítimos. Como resultado, custos na cadeia logística podem subir, reduzindo a competitividade das exportações brasileiras.
Fertilizantes e insumos
O Brasil importa cerca de 85% do que utiliza em fertilizantes. A região representa aproximadamente 40% do comércio marítimo global de ureia, com altas de preços fortes desde o início do conflito. Além disso, 35% da produção mundial de ureia tem origem na região, pressionando custos de culturas como milho, soja e cana.
Perspectivas para a produção e inflação
O petróleo em alta eleva o custo de insumos e transporte, o que pode manter pressão sobre margens do setor. Especialistas estimam que a normalização da cadeia de fertilizantes e energia pode levar tempo, com recuperação ainda sujeita a fatores externas.
No Brasil, a inflação tem avançado e o Banco Central reduziu a Selic apenas 0,25 ponto, refletindo uma política monetária cautelosa. Em março, a inflação anual subiu; o cenário de juros baixos deve ocorrer de forma gradual, mantendo pressão sobre crédito e investimentos produtivos.
Conclusão
As tensões no Oriente Médio geram efeitos diretos sobre o comércio agrícola brasileiro e sobre custos logísticos e de energia. O agronegócio, já em expansão recente, enfrenta um horizonte de incertezas que pode exigir reajustes de produção e estratégias de diversificação de mercados para manter a competitividade.
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