- Tubos Reunidos pediu a declaração de concurso voluntário de acreedores e o tribunal declarou o concurso; a Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) suspendeu a cotação das ações.
- A empresa, com cerca de 1.300 funcionários, enfrenta guerra de tarifas e pressão da concorrência, projetando perdas de 118 milhões de euros em 2025.
- As ações caíram 37,5% nesta segunda-feira e o conselheiro Cristóbal Valdés apresentou seu cessamento voluntário.
- A companhia fechou um ajuste estrutural com 301 demissões, com adesão de funcionários voluntários, e busca refinanciamento da dívida com a SEPI.
- A Tubos Reunidos amplia diversificação e parcerias, incluindo venda de tecnologia e tubos de alta gama, expansão para mercados asiáticos e acordo com a ITP Aero.
A Tubos Reunidos comunicou ao mercado que busca a declaração de concurso voluntário de acreedores, citando insolvência iminente e uma dívida líquida superior a 150 milhões de euros. A medida foi solicitada na segunda-feira pela direção, que também informou ter chegado a um ponto crítico em meio à guerra de tarifas e à pressão competitiva. A CNMV informou que suspendeu temporariamente a negociação das ações.
A empresa, com cerca de 1.300 funcionários, registrou quedas de demanda e de margem, atendendo a um cenário de desaceleração de projetos industriais. A avaliação de ativos e o impacto de tarifas tarifárias contribuíram para o deteriorando desempenho financeiro, segundo a própria companhia. O mercado reagiu com queda acentuada nas ações.
Situação financeira e impactos
A declaração de concurso pode abrir renegociação de dívidas e reestruturação de ativos. Entre as consequências, há expectativa de custos com despedimentos e ajustes operacionais, além de pressionar a refinanciamento com a SPPE (SEPI). Analistas ressaltam a necessidade de clareza sobre cronograma e condições.
A companhia não descartou perseguir a via de concurso voluntário, em meio a resultados que indicam perdas significativas em 2025. O conselho de administração registrou cese voluntário de um de seus executivos, enquanto a direção mantém foco em estabilizar o balanço.
Desempenho financeiro e operações
A Tubos Reunidos apresentou perdas expressivas em 2025, agravadas pela depreciação de ativos associada às tarifas norte-americanas. Em 2024, o grupo reportou lucros reduzidos e uma retração de vendas, deixando dúvidas sobre a recuperação no curto prazo. Mesmo assim, a empresa aponta motivos para novos planos de recuperação no segundo semestre.
A empresa destacou ainda que, apesar do cenário adverso, houve capturas de contratos em linha com a diversificação tecnológica. As vendas de tecnologia e tubos de alta gama mostraram expansão em determinados segmentos, enquanto a carteira de pedidos permaneceu robusta em alguns mercados.
Mudanças de liderança e estratégia
O conselho anunciou a troca de presidente não executivo, com Joaquín Fernández de Piérola assumindo o cargo, mantendo Carlos López de las Heras na gestão diária. A direção também reforçou a parceria com a ITP Aero, incluindo a participação de sua unidade nos EUA em quatro programas de motores, para ampliar atuação aeronáutica.
A empresa reforçou planos para ampliar a presença em mercados internacionais, incluindo iniciativas na Ásia. A linha de produtos de baixo carbono ganhou impulso com a venda de tubos de emissão zero, respondendo à demanda por soluções mais verdes.
Perspectivas operacionais e dividendos
Mesmo diante de desafios, Tubos Reunidos sinalizou expectativas de melhoria de margens no último trimestre do ano. Caso as condições se estabilizem, a refinanciamento e a gestão de liquidez devem ganhar prioridade para sustentar operações. O grupo também avaliou a possibilidade de manter dividendos, desde que haja disponibilidade de caixa.
A empresa comunicou que as mudanças no conselho não costumam afetar a avaliação de mercado. Em termos de liquidez, foram anunciados planos para reforçar o balanço com a utilização de parte de reservas e dos resultados de 2024, além de adiar pagamentos de bônus para preservar caixa.
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