- O varejo caiu 3,0% em abril de 2026 na comparação com abril de 2025, já descontada a inflação, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA).
- O resultado reflete inflação mais alta, menor renda das famílias e mudanças no calendário de datas comerciais, com a Páscoa ocorrendo no início do mês.
- O Nordeste foi a região com maior queda, -4,7%; Centro-Oeste foi o mais estável, com recuo de -1,4%.
- O comércio eletrônico avançou 6,5% em termos nominais, enquanto o comércio físico subiu apenas 0,2%. A queda ocorreu especialmente em serviços e bens duráveis.
- A inflação pressionou o consumo: o IPCA-15 subiu 0,89% em abril; a inflação em 12 meses chegou a 4,37%, puxada por alimentação e transportes.
A queda do varejo brasileiro em abril de 2026 foi de 3,0% na comparação com o mesmo mês de 2025, já ajustada pela inflação. O dado é do ICVA, o Índice Cielo do Varejo Ampliado, divulgado pela Cielo. O resultado marca o pior desempenho do setor em mais de um ano.
A pesquisa aponta inflação mais alta, queda da renda das famílias e mudanças no calendário de datas comerciais como motivadores da queda. O vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, Carlos Alves, afirma que o consumidor ficou mais cauteloso diante do aumento do custo de vida.
A Páscoa antecipou parte das compras neste ano, ocorrendo no início de abril, o que pressionou o desempenho para baixo em abril. Em 2025, a Páscoa ocorreu mais tarde e houve emenda com o feriado de Tiradentes, favorecendo lazer e turismo e dificultando a comparação para 2026.
Nordeste registra maior queda
Todas as regiões apresentaram retração. O Nordeste caiu 4,7%, seguido pelo Norte, com 3,8%, Sudeste, 3,4%, e Sul, 2,7%. O Centro-Oeste foi a região mais resistente, com retração de 1,4%. Entre os estados, Amapá foi o melhor, com alta de 2,7%, e Rondônia, avanço de 0,2%.
Entre os piores estados, Piauí registrou queda de 7,7%, Rio Grande do Norte, 6,6%, e Pernambuco, 5,5%. O varejo online foi o principal destaque positivo do mês, com alta de 6,5% em termos nominais frente a abril de 2025. O comércio físico teve alta de apenas 0,2%.
Varejo online e tipos de consumo
O canal digital se beneficiou pela facilidade de comparação de preços, conveniência e ampliação da oferta logística, segundo Carlos Alves. O varejo online foi o principal impulsionador, enquanto o comércio presencial mostrou menor fôlego.
Entre os grandes setores, o de serviços registrou a maior queda, de 5,5%, impactado pela redução do consumo em alimentação fora do lar, lazer e turismo. Bens duráveis e semi duráveis caíram 4,9%, com vestuário, esportes, móveis e eletrodomésticos entre os mais impactados.
O grupo de bens não duráveis teve retração menor, de 1,6%. Drogarias contribuíram positivamente, enquanto postos de gasolina sofreram pressão com a alta de combustíveis. O levantamento destaca ainda a inflação como componente relevante para o comportamento do consumidor neste mês.
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