- Os grandes fluxos estrangeiros para o Brasil são voláteis e de curto prazo, reflexo de movimentos globais e não de méritos do país.
- Para não ficar refém desse capital, é preciso resolver a questão fiscal, o que abriria espaço para queda de juros e ajudaria a retomar o grau de investimento.
- Executivos destacam que o Brasil precisa competir em bases globais e que o investimento deve ser de longo prazo, não apenas fluxos oportunísticos.
- No ano, o investimento líquido em renda variável soma US$ 30 bilhões, sendo quase US$ 11 bilhões de reinvestimento de dividendos; há saída de dinheiro em renda fixa.
- Sobre IPOs, existe pipeline, mas com maior seletividade; investidores avaliam risco, garantias e posicionamento, mantendo o mercado aberto ao Brasil, ainda que de forma cautelosa.
O Brasil precisa enfrentar a incerteza fiscal para não depender de capital de curto prazo. Executivos de bancos alertaram que fluxos estrangeiros recentes, ainda que relevantes, são voláteis e não refletem méritos estruturais do país. O comentário foi feito em Nova York, durante a 3ª edição do Summit Valor Brazil-USA.
Segundo Alexandre Bettamio, Bank of America, o país ainda representa apenas uma fração dos fluxos para emergentes e tem participação baixa em índices como o MSCI, perto de 7%. Ele aponta que o Brasil aproveitou a onda global de realocação, mas permanece fora da pauta principal dos investidores.
Jos é Berenguer, CEO do Banco XP, reforçou a cautela: o dinheiro é volátil e com horizonte curto. Para ele, volumes atuais não bastam para reativar os mercados de capitais e o país precisa “fazer o dever de casa” para evitar perdas de oportunidade.
Mercado de ações e atuação de bancos
Marcelo Marangon, Citi, afirmou que o Brasil tem 60% do mercado de custódia local e acompanha de perto o fluxo líquido de renda variável, hoje em US$ 30 bilhões. Do total, cerca de US$ 11 bilhões correspondem a reinvestimento de dividendos, enquanto a renda fixa já registra saída de capitais.
Ele destacou que o país precisa competir em bases globais, com capital buscando investimentos de longo prazo. O banco vê o mercado aberto a novas IPOs, porém com investidores mais seletivos, que valorizam risco, garantias e posicionamento das empresas.
Cenário de IPOs e reformas fiscais
Bettamio descreveu um cenário de maior exigência para IPOs no exterior. O tamanho das operações passou a exigir faturamento acima de US$ 2 bilhões, aumentando a pressão para empresas nacionais. Ainda assim, há um pipeline de transações, ainda que limitadas pela avaliação de risco pelos investidores.
Para Bettamio, a solução fiscal passa pela redução do tamanho do Estado, desvinculação de receitas e contenção de despesas. A expectativa é de que a retomada do grau de investimento atraia capital de longo prazo e reduz a volatilidade.
Perspectivas políticas e oportunidades de mercado
Os executivos destacaram que a eleição presidencial não tem sido o principal foco dos investidores. O que importa é a continuidade das reformas e a direção fiscal do país. A mensagem é de educação constante do mercado sobre oportunidades brasileiras, com atuação contínua na geração de novos negócios.
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