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Brasil precisa reduzir dependência de capital de curto prazo, dizem bancos

Bancos afirmam que o Brasil precisa resolver a questão fiscal para atrair capital de longo prazo e reduzir a dependência de fluxos de curto prazo

Alexandre Bettamio — Foto: Vanessa Carvalho/Valor
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  • Os grandes fluxos estrangeiros para o Brasil são voláteis e de curto prazo, reflexo de movimentos globais e não de méritos do país.
  • Para não ficar refém desse capital, é preciso resolver a questão fiscal, o que abriria espaço para queda de juros e ajudaria a retomar o grau de investimento.
  • Executivos destacam que o Brasil precisa competir em bases globais e que o investimento deve ser de longo prazo, não apenas fluxos oportunísticos.
  • No ano, o investimento líquido em renda variável soma US$ 30 bilhões, sendo quase US$ 11 bilhões de reinvestimento de dividendos; há saída de dinheiro em renda fixa.
  • Sobre IPOs, existe pipeline, mas com maior seletividade; investidores avaliam risco, garantias e posicionamento, mantendo o mercado aberto ao Brasil, ainda que de forma cautelosa.

O Brasil precisa enfrentar a incerteza fiscal para não depender de capital de curto prazo. Executivos de bancos alertaram que fluxos estrangeiros recentes, ainda que relevantes, são voláteis e não refletem méritos estruturais do país. O comentário foi feito em Nova York, durante a 3ª edição do Summit Valor Brazil-USA.

Segundo Alexandre Bettamio, Bank of America, o país ainda representa apenas uma fração dos fluxos para emergentes e tem participação baixa em índices como o MSCI, perto de 7%. Ele aponta que o Brasil aproveitou a onda global de realocação, mas permanece fora da pauta principal dos investidores.

Jos é Berenguer, CEO do Banco XP, reforçou a cautela: o dinheiro é volátil e com horizonte curto. Para ele, volumes atuais não bastam para reativar os mercados de capitais e o país precisa “fazer o dever de casa” para evitar perdas de oportunidade.

Mercado de ações e atuação de bancos

Marcelo Marangon, Citi, afirmou que o Brasil tem 60% do mercado de custódia local e acompanha de perto o fluxo líquido de renda variável, hoje em US$ 30 bilhões. Do total, cerca de US$ 11 bilhões correspondem a reinvestimento de dividendos, enquanto a renda fixa já registra saída de capitais.

Ele destacou que o país precisa competir em bases globais, com capital buscando investimentos de longo prazo. O banco vê o mercado aberto a novas IPOs, porém com investidores mais seletivos, que valorizam risco, garantias e posicionamento das empresas.

Cenário de IPOs e reformas fiscais

Bettamio descreveu um cenário de maior exigência para IPOs no exterior. O tamanho das operações passou a exigir faturamento acima de US$ 2 bilhões, aumentando a pressão para empresas nacionais. Ainda assim, há um pipeline de transações, ainda que limitadas pela avaliação de risco pelos investidores.

Para Bettamio, a solução fiscal passa pela redução do tamanho do Estado, desvinculação de receitas e contenção de despesas. A expectativa é de que a retomada do grau de investimento atraia capital de longo prazo e reduz a volatilidade.

Perspectivas políticas e oportunidades de mercado

Os executivos destacaram que a eleição presidencial não tem sido o principal foco dos investidores. O que importa é a continuidade das reformas e a direção fiscal do país. A mensagem é de educação constante do mercado sobre oportunidades brasileiras, com atuação contínua na geração de novos negócios.

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