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Brasil precisa reduzir risco-país para aproveitar posição atraente diz BlackRock

BlackRock aponta que o Brasil tem posição fantástica para investidores, mas precisa reduzir risco-país e déficit fiscal para reduzir custo de financiamento de longo prazo

— Foto: Vanessa Carvalho/Valor
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  • A BlackRock vê o Brasil em posição “fantástica” para atrair investidores, refletida no comportamento dos ativos.
  • O problema fiscal é central para reduzir o custo de financiamento, pois está ligado à taxa de juro real alta.
  • O país tem um setor externo forte, com baixa dívida externa e altas reservas, mas a taxa de juro real doméstica permanece elevada.
  • Investimentos de longo prazo dependem de políticas estáveis e da redução do risco-país; o CDI aparece como opção diante do dólar e da valorização do real.
  • Com o clima eleitoral, pode haver volatilidade no curto prazo, mas espera-se continuidade da recomposição de posições e de investimentos de longo prazo no Brasil.

O Brasil tem uma posição considerada fantástica para atrair investidores, segundo Pablo Goldberg, responsável por pesquisa e portfólio na BlackRock. A avaliação foi feita durante o Summit Brazil-EUA, em Nova York, promovido pelo Valor, na semana dedicada ao país.

Goldberg afirmou que o problema fiscal é central porque se conecta ao tema da alta taxa de juro real. Em sua análise, reduzir esse custo exige maior clareza fiscal, um ritmo considerado abaixo do desejado por parte dos investidores.

Apesar das condições externas favoráveis, o executivo enfatizou que, no âmbito doméstico, a taxa de juro real ainda permanece elevada. Ele destacou que o Brasil tem setor externo robusto, com baixa dívida externa e reservas elevadas, mas o custo de financiamento interno atrapalha perspectivas de longo prazo.

A visão é de que o investimento em CDI se torna a opção mais evidente diante de um real valorizado e de dólar em trajetória de depreciação. Contudo, essa dinâmica favorece ganhos de curto prazo e dificulta o planejamento de projetos de longo prazo.

Segundo Goldberg, mudanças estruturais são necessárias para desbloquear o potencial de longo prazo. A BlackRock prioriza investimentos com horizonte mais amplo, que exigem políticas estáveis e permanentes, capazes de sustentar o crescimento sem aumentar a volatilidade macro.

Guerra e eleição

O executivo lembrou que houve fluxo de capitais para emergentes mesmo antes do conflito no Oriente Médio, e que o real se manteve relativamente forte após a desescalada. Esse cenário contribui para manter condições favoráveis à recomposição de posições no mercado brasileiro.

Ele mencionou que a percepção de que fatores para a fraqueza do dólar devem permanecer influenciará moedas e termos de troca, o que tem impacto direto nos mercados locais. A partir de agora, a tendência é de maior volatilidade à medida que o clima eleitoral se aproxima.

Otimista, Goldberg afirmou que o mercado tende a se ajustar com maior tranquilidade às eleições no Brasil, indicando uma possível continuidade na entrada de capital e na reestruturação de posições, mesmo diante de incertezas eleitorais.

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