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Briga societária e queda de vendas ameaçam virada da Azzas, dizem analistas

Briga entre acionistas e balanço fraco elevam incerteza sobre a virada da Azzas; JP Morgan vê recuperação mais incerta e governo zerou imposto de importação de até US$ 50

A Hering, uma das principais marcas do portfólio da Azzas 2154, despencou 18,5% em receita no primeiro trimestre, ainda em ajuste de estoques.
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  • Azzas 2154 enfrenta três desafios simultâneos: balanço fraco, disputa societária entre os grandes acionistas e a queda da proteção oferecida pela taxa das blusinhas.
  • No 1º trimestre, a receita bruta caiu 5,8%, para R$ 3,1 bilhões, e o EBITDA recorrente recuou 23,2%, para R$ 329 milhões; a Hering puxou o desempenho para baixo com queda de 18,5% na receita.
  • BTG Pactual, Citi e JP Morgan mantêm visões céticas sobre a virada, com recomendações variadas e projeções de lucro possivelmente revisadas para baixo, destacando trabalho ainda a ser feito para desbloquear crescimento e margens.
  • A liminar obtida por Roberto Jatahy impede mudanças na Reserva, reacendendo o atrito com o CEO Alexandre Birman e acendendo dúvidas sobre governança interna da empresa.
  • O governo zerou o imposto de importação de 20% para compras internacionais de até US$ 50, o que pode pressionar o varejo têxtil brasileiro e impactar o ambiente competitivo da Azzas.

Azzas 2154, holding que controla Arezzo, FARM, Animale, Hering e Reserva, vive três crises ao mesmo tempo: resultado fraco, disputa societária entre seus dois maiores acionistas e o fim da proteção do varejo têxtil com a retirada da taxa das blusinhas. O impacto começou a ficar claro no balanço do 1º trimestre.

O balanço, divulgado no dia 7, mostrou receita bruta de R$ 3,1 bilhões, queda de 5,8% frente ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA recorrente caiu 23,2%, para R$ 329 milhões, e ficou 20,8% abaixo da projeção do BTG Pactual. Houve recuo também por parte da Hering.

Analistas destacam o papel da governança na avaliação da recuperação. O ex-controlador Roberto Jatahy obteve liminar para bloquear mudanças na Reserva, sob a alçada do CEO Alexandre Birman, reabrindo atrito interno já conhecido. A empresa confirmou a liminar e manteve a governança.

A mudança no cenário regulatório chegou no mesmo dia: Brasília zerou o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, o que ficou conhecido como a “taxa das blusinhas”. A Abvtex classificou a decisão como retrocesso econômico, elevando a pressão competitiva sobre varejo têxtil nacional.

Impactos e leituras de mercado

O JP Morgan manteve visão neutra, destacando a possibilidade de desinteresse dos investidores diante das disputas internas. O Citi manteve recomendação neutra com alto risco e sinalizou possíveis revisões de lucros futuras. O conjunto de fatores preocupa a disciplina de gastos da empresa.

Contexto operacional

Relatórios do BTG Pactual reforçam que o top line ainda deve enfrentar ajustes de margem e ganhos de receita contidos. O mercado avalia se a Azzas consegue consolidar o turnaround sem que conflitos internos prejudiquem a execução do plano. A executiva estrutura permanece inalterada.

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