- A Confederação Nacional da Indústria afirma que zerar a “taxa das blusinhas” pode reduzir o mercado interno e impactar empregos na indústria.
- A medida rompe a equiparação tributária entre produtos importados e nacionais para compras até 50 dólares, pendente de avaliação pelo governo.
- Em 2025, 4,5 milhões de produtos estrangeiros deixaram de entrar, o que preservou cerca de 135 mil empregos e afetou a arrecadação.
- A CNI prevê encolhimento do mercado interno em torno de 5 bilhões, com setores como têxtil e calçados sofrendo mais pela entrada de itens estrangeiros.
- A entidade acompanha cenários setoriais e continuará defendendo medidas que protejam empregos e a competição, mesmo diante da mudança de posição do governo.
O fim da chamada taxa das blusinhas, medida criada pelo governo Lula para zerar tributos em compras internacionais de até 50 dólares, pode afetar a indústria nacional. A avaliação é do economista Márcio Guerra, superintendente de Economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), publicada pelo UOL News.
Guerra afirma que a revogação da taxa rompe a equiparação entre produtos importados e nacionais em compras de baixo valor. Segundo ele, a mudança privilegia itens estrangeiros e pode reduzir mercado, investimentos e empregos na indústria brasileira. A taxa, operante até então, tinha como objetivo manter isonomia competitiva.
A CNI sustenta que, em 2025, a medida resultou na entrada de cerca de 4,5 milhões de itens estrangeiros a menos, o que contribuiu para preservar aproximadamente 135 mil empregos e também afetou a arrecadação. O efeito imediato, conforme o economista, deve ser sentido primeiro no tamanho do mercado interno.
Impactos setoriais e cenários
- A partir da revogação, a CNI projeta encolhimento de cerca de 5 bilhões no mercado interno, com reflexos na produção que pode se ajustar para atender a maior entrada de produtos importados.
- Segundo Guerra, setores como têxtil e calçados devem sofrer mais, mas ainda não há estimativa certeira de impactos sobre empregos, pois dependem do comportamento do consumo e do ritmo de importação.
A entidade afirma que continua discutindo cenários com associações setoriais e defende medidas que preservem empregos e incentivem a competição justa. O debate ocorre em um contexto eleitoral, segundo o representante da CNI, que observa contradição com o que vinha sendo defendido tecnicamente.
Fonte
- Trechos da entrevista foram veiculados pelo UOL News, bloco de notícias do Canal UOL. O programa é exibido em horários diários, com edições ao vivo nas plataformas da UOL.
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