- A União Europeia vai vetar exportações de origem animal do Brasil a partir de setembro, por preocupações com o uso de antimicrobianos na pecuária e com a resistência bacteriana.
- Substâncias citadas pela UE incluem virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina, usadas para tratamento, crescimento e ganho de peso em animais.
- O governo brasileiro afirmou ter ficado surpreso e vai buscar esclarecimentos, tentando reverter a decisão antes da vigência.
- Se mantida, a medida pode impactar cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em exportações, afetando carnes, ovos, mel, peixes e outros produtos.
- Entidades do setor afirmam que o Brasil segue normas sanitárias rígidas e tem rastreabilidade reconhecida; lembram episódios anteriores como 2008 e 2017.
O governo brasileiro foi pego de surpresa pela decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para consumo humano. A medida ainda não entrou em vigor e só vale a partir de setembro. Autoridades e entidades do agronegócio já reagiram.
A decisão envolve o uso de antimicrobianos na criação de animais e o risco da resistência bacteriana. O tema preocupa a UE por medicamentos importantes para a medicina humana. O Brasil promete buscar esclarecimentos e tentar reverter a decisão antes do prazo final.
Antimicrobianos usados na pecuária, como antibióricos, ajudam no tratamento de doenças e no ganho de produtividade. Aplicações incluem bovinos, aves, suínos e outros animais de criação, em alguns casos para acelerar o crescimento.
A União Europeia aponta que algumas substâncias já são restritas em mercados internacionais e cita exemplos como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina. A preocupação é manter remédios eficazes para uso humano.
Segundo a UE, o Brasil ainda não comprovou garantias suficientes de que esses produtos deixaram de ser usados em toda a cadeia exportadora. O foco é rastreabilidade, fiscalização sanitária e documentação de uso.
Caso o veto seja mantido, o impacto anual estimado chega a cerca de 1,8 bilhão de dólares em exportações. A indústria teme perdas em carnes bovina e de frango, além de ovos, mel e peixes.
Entidades do setor afirmam que o Brasil mantém regras sanitárias rígidas e já atende às exigências da UE. Associações de exportadores dizem que o sistema brasileiro é reconhecido pela rastreabilidade.
Historicamente, o Brasil já enfrentou restrições na UE. Em 2008 houve embargo à carne bovina; em 2017 a Operação Carne Fraca também provocou limitações para vários mercados.
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