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Galípolo: choque de oferta é desafio e BC precisa de maior vigilância

Choques de oferta elevam a incerteza; BC afirma vigilância reforçada e continuidade do aperto, com Selic em 14,50% e meta de inflação de 3%

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo, participa de uma entrevista coletiva na sede do Banco Central do Brasil em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2025. REUTERS/Adriano Machado
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  • O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou que choques de oferta recentes criam desafio especial, pois afetam a percepção sobre a atuação da autarquia, mesmo com instrumentos voltados para outro tipo de tempestade.
  • Ele ressaltou que o ambiente de incerteza, o mercado de trabalho apertado e expectativas de mercado desancoradas exigem ainda mais vigilância da autoridade monetária.
  • Galípolo destacou que já é o quarto choque de oferta em menos de seis anos, gerando dissociação e tornando a tarefa dos bancos centrais mais difícil.
  • O BC não deve abandonar o objetivo central de controlar a inflação, com a meta contínua de 3%.
  • A taxa Selic está em 14,50% ao ano, com cortes graduais considerados calibração, e o BC pretende encerrar o ciclo com juros ainda restritivos diante das incertezas do conflito no Oriente Médio.

BRASÍLIA, 13 Mai (Reuters) – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira que choques de oferta observados recentemente impõem desafio especial à autoridade monetária, pois afetam a percepção sobre o trabalho do BC, ainda que seus instrumentos tenham sido desenhados para outra tempestade.

Em conferência na sede do BC, ele disse que esse ambiente de incerteza, aliado a um mercado de trabalho firme e a expectativas de mercado desancoradas, exige vigilância ainda maior por parte da autarquia.

O dirigente ressaltou que o país já viveu quatro choques de oferta em menos de seis anos, o que gera uma dissonância difícil para bancos centrais que visam inflação estável.

Segundo Galípolo, elevar juros encarece o crédito, reduzindo consumo e, por consequência, a demanda, o que demonstra a diferença entre choques de demanda e de oferta, especialmente em cenários como o petróleo.

Ele reiterou que o BC não deve abandonar o objetivo central de controlar a inflação, cuja meta permanece em 3% ao ano.

Sobre a política monetária, o BC vem promovendo cortes graduais da Selic, hoje em 14,50% ao ano, sob a justificativa de calibração, ainda com juros considerados restritivos.

O BC também tem sinalizado que o ciclo de redução deverá encerrar com a taxa ainda elevada diante de incertezas, incluindo o conflito no Oriente Médio.

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