- Em dois anos, a “taxa das blusinhas” arrecadou 8,2 bilhões de reais com a tarifa de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50; o imposto foi zerado nesta semana pelo presidente Lula.
- Especialistas estimam que a suspensão pode reduzir a arrecadação em quase 5 bilhões de reais por ano.
- A arrecadação total com o imposto foi de 2,8 bilhões de reais em 2024, 4,7 bilhões em 2025 e 1,8 bilhão de janeiro a abril de 2026; abril teve o quinto maior valor desde o início da cobrança.
- A decisão ocorreu perto das eleições e gerou críticas de setores da indústria, que veem ganho para importadores e risco de perda de empregos em pequenas empresas.
- Mesmo com o fim da cobrança federal, o ICMS estadual sobre importações continua, variando de 17% a 20% conforme o estado.
Em dois anos de vigência, a chamada taxa das blusinhas rendeu à União 8,2 bilhões de reais com a cobrança de importação de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares. A tarifa foi zerada nesta semana pela decisão do presidente Lula. Especialistas ouvidos pelo portal reforçam que o fim do imposto pode reduzir a arrecadação em quase 5 bilhões de reais por ano.
Entre agosto de 2024 e abril deste ano, a média mensal de arrecadação ficou em 393 milhões de reais, informou a Receita Federal. O valor representa 137% a mais do que a média de 165,7 milhões de reais registrada nos sete primeiros meses de 2024, quando ainda não havia a cobrança.
Em 2024, o imposto movimentou 2,8 bilhões de reais, com a maior parte dos recursos entrando a partir de agosto. Em 2025, a arrecadação totalizou 4,7 bilhões. De janeiro a abril de 2026, o imposto gerou 1,8 bilhão de reais para a Receita Federal, até o fim do período de apuração.
Impactos da revogação e avaliações
Em abril, último mês de apuração, a arrecadação ficou em 461,9 milhões de reais, o quarto maior valor registrado desde o início da tarifa. A decisão de zerar a cobrança ocorreu em meio a críticas de consumidores e de plataformas de comércio internacional, que argumentavam que o imposto prejudicava produtos de baixo custo.
A indústria criticou a medida. A Confederação Nacional da Indústria afirmou que a isenção oferece vantagem a fabricantes estrangeiros e aumenta o risco de desemprego entre micro e pequenas empresas, ao reduzir a competitividade da produção nacional.
Ainda que o imposto federal tenha sido suspenso, o ICMS estadual permanece incorrido sobre as compras internacionais, variando entre 17% e 20% conforme o estado. Estados com alíquotas de 17% incluem São Paulo, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, entre outros; 20% aparecem em Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, e mais alguns.
Impacto no consumidor e na arrecadação futura
Especialistas destacam que a medida pode reduzir custos no curto prazo para o consumidor, mas aponta para queda significativa de receita, estimada em até 5 bilhões de reais por ano. A mudança é vista como um movimento de ajuste fiscal, com possíveis consequências para as contas públicas.
Profissionais do setor afirmam que a renúncia fiscal representa um desafio para o equilíbrio das contas públicas, podendo exigir medidas compensatórias previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal. A OAB-DF também ressaltou que, na prática, a tributação anterior não despendia de forma contundente o interesse por compras internacionais.
Levantamento recente indicou efeitos assimétricos para as famílias: entre agosto de 2024 e abril de 2025, o volume de pedidos das classes C, D e E caiu 35%, enquanto a retração entre as classes A e B ficou em 11%, demonstrando impacto desigual sobre o consumo.
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