- O fechamento do Estreito de Ormuz elevou o preço da ureia em mais de noventa por cento, ameaçando o abastecimento de fertilizantes para agricultores africanos que dependem de importações.
- Na África Subsaariana, pequenos agricultores enfrentam aumento de custos e escassez de fertilizantes, o que pode reduzir áreas plantadas e impactar colheitas e inflação de alimentos.
- O Malawi depende de importações de fertilizantes do Golfo em cerca de sessenta por cento, tornando o país muito vulnerável a interrupções na cadeia de suprimentos.
- Organizações da ONU indicam riscos de maior custo dos alimentos na região, com governos com capacidade de apoio limitada e relatos de fertilizantes de baixa qualidade surgindo no mercado.
- Mesmo com fim do conflito, a recuperação dos suprimentos deve ser lenta devido a congestionamento marítimo, reinício de fábricas e redução de exportações pela China para atender à demanda interna.
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz elevou o preço da ureia acima de 90%, agravando a escassez de fertilizantes na África. Países importadores, como o Malaui, enfrentam custos crescentes de combustível e insumos, com impacto direto na produção agrícola.
A África, onde metade da população depende da agricultura, aparece entre as mais vulneráveis. Pequenos agricultores no Malaui, Nigéria, Lesoto e outros países já observam menor uso de fertilizantes e rendimentos mais baixos, pressionando a segurança alimentar regional.
Ao Malaui chegam quase 60% das importações de fertilizantes nitrogenados vindas do Golfo, tornando o país altamente dependente de fornecedores externos. O bloqueio do estreito contribui para sazonalmente maiores custos de produção agrícola.
A crise não se resume ao custo. Relações entre EUA, Irã e aliados elevam a incerteza sobre o fluxo de insumos, enquanto o tempo de reposição de barcos e fábricas aumenta a duração da contaminação de preços. A recuperação dos embarques tende a ser lenta.
Em Nigéria, Abia, e em Senegal, Thies, agricultores relatam dificuldade de obtenção de fertilizantes de qualidade. Em Gana, a importação enfrenta atrasos, elevando o custo de insumos e reduzindo a área cultivada.
Organizações internacionais alertam para aumento da inflação de alimentos na região, com risco de fome em áreas já vulneráveis. A FAO aponta que o uso reduzido de fertilizantes agrava a subnutrição no solo africano.
Para o Malaui, a crise atinge especialmente os pequenos produtores e aumenta a probabilidade de cenários de insegurança alimentar. O governo negocia dívida externa de longo prazo e busca fontes emergenciais de financiamento para manter importações.
Impacto econômico e respostas
A produção de trigo na África do Sul é esperada em baixa, e alguns países já recorrem a fertilizantes mais baratos ou substitutos. O ajuste de cadeias de suprimento aumenta a concentração de compras em mercados com maior capacidade de pagamento.
Especialistas destacam que, mesmo com fim do conflito, a normalização dos fornecimentos pode demorar, devido a gargalos logísticos e à necessidade de reativar fábricas. A China também reduz exportações para preservar estoques internos.
O cenário exige monitoramento de políticas agrícolas, subsídios e preços ao consumidor. A situação do Malaui, entre outros, demonstra vulnerabilidade de economias dependentes de importação para fertilizantes e combustíveis.
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