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Juros altos travam empreendedorismo, aponta Benchimol

Juros elevados travam o crescimento de startups no Brasil; Benchimol pede menos intervenção governamental para tornar o crédito mais barato

Maria Fernanda Delmas, diretora do Valor, e Guilherme Benchimol, presidente do Conselho da XP, no Summit Valor Brazil - USA 2026 — Foto: Vanessa Carvalho/Valor
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  • Juros altos são o principal entrave ao empreendedorismo no Brasil, afirma Guilherme Benchimol no Summit Valor Brazil-USA 2026, em Nova York.
  • Com a Selic acima de 13% ao ano, startups enfrentam crédito caro, com custo entre 5% e 6% ao mês (cerca de 100% ao ano).
  • Benchimol defende que o governo faça o dever de casa, reduzindo a intervenção na economia para que o dinheiro fique mais barato e as contas públicas fiquem mais equilibradas.
  • O instituto B55, criado ao lado de André Street e David Vélez, foca em educação de gestão e liderança, comunidade e incubação, funcionando sem fins lucrativos e cobrando por serviços para gerar lucro social.
  • A XP Inc. tem cerca de nove mil funcionários e R$ 1,5 trilhão em ativos sob custódia; Benchimol aponta que 73% das empresas não geram receita há três anos, destacando a dificuldade de founders delegar e escalar.

A tese de Guilherme Benchimol, fundador e presidente do conselho da XP Inc., é de que juros historicamente altos freiam o empreendedorismo no Brasil. Em Nova York, durante o Summit Valor Brazil-USA 2026, ele ressaltou que a média da Selic acima de 13% ao ano encarece o crédito para startups, dificultando margens de lucro.

Benchimol destacou que o custo do capital é o principal obstáculo para novos negócios. Ele afirmou que muitos empreendedores tomam dinheiro a 5% a 6% ao mês, o que torna difícil pagar as contas com receita inicial. O executivo pediu ao governo que reduza a intervenção econômica para equilibrar as contas públicas.

Ele lembrou que a XP tem cerca de 9 mil funcionários e gerencia ativos de aproximadamente R$ 1,5 trilhão. Em sua visão, o crédito é essencial na fase inicial, mas muitos empreendedores enfrentam dificuldades para evoluir do operacional ao planejamento estratégico, o que atrasa o crescimento.

Contexto e desdobramentos

O grupo B55, criado ao lado de André Street, da Stone, e David Vélez, do Nubank, visa apoiar a transição de empreendedores da gestão operacional para a liderança. Pesquisas do instituto indicam que 73% das empresas não geram receitas há três anos, sinalizando desafios na escalabilidade.

A iniciativa oferece educação em gestão, liderança, comunidade, aceleração e inovação, com um espaço físico para incubação colaborativa. Segundo Benchimol, o objetivo é criar o maior ecossistema de empreendedorismo do Brasil, com atuação gradual e foco em retorno social.

Benchimol apontou ainda que o Brasil abriga cerca de 25 milhões de empreendedores, mais do que os Estados Unidos, que têm cerca de 13 milhões. A complexidade tributária e as regras trabalhistas são entraves que, na visão dele, podem ser mitigados com maior liberalização e competição.

O executivo destacou que aprender a falhar de modo contido é parte do processo. Segundo ele, falhar pequeno permite ajustes rápidos, com decisões baseadas em dados. A XP adota esse modelo, evitando apostas altas sem evidências claras.

Benchimol exemplificou com o Banco XP, criado seis anos atrás sob a liderança de José Berenguer. Ele ressaltou que a instituição nasceu de forma gradual e hoje participa do ranking de bancos relevantes no Brasil, ilustrando a estratégia de construção gradual e responsável.

A orientação do empresário é manter a prudência na alocação de capital, evitar mudanças abruptas e abrir espaço para testes controlados. Com esse approach, diz, é possível sustentar a inovação sem comprometer a estabilidade financeira.

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